- Atlas Renewable Energy suspendeu planos de investir US$ 1 bilhão no Brasil, com foco em empreendimentos previstos para 2025 e 2026.
- A empresa, controlada pela unidade Global Infrastructure Partners (GIP) da BlackRock, tinha cerca de 1,5 gigawatts em projetos que ficaram em espera no quinto maior mercado mundial de energia eólica e solar.
- O corte de geração, chamado curtailment, ficou entre 15% e 25% para as usinas existentes no trimestre de junho.
- Com a menor aceitação de energia pela rede, as empresas precisam comprar energia adicional mais cara para cumprir contratos.
- A Fitch Ratings aponta perspectivas negativas para 11 projetos de energia renovável no Brasil, com cortes esperados até 2030; executivo da Atlas diz que mudanças no desenho do mercado devem ocorrer apenas em 2028, com continuidade de crescimento da demanda.
Atlas suspende US$ 1 bilhão em investimentos em energias renováveis no Brasil. A medida foi anunciada pela Atlas Renewable Energy, controlada pela GIP (Global Infrastructure Partners) e, por consequência, pela BlackRock. Os planos envolviam projetos para 2025 e 2026 no Brasil. O motivo alegado é o aumento das rejeições de energia renovável no sistema elétrico nacional.
Segundo Carlos Barrera, CEO da Atlas, houve cortes de geração de 15% a 25% nas usinas da empresa no trimestre encerrado em junho. O termo técnico para isso é curtailment, ou seja, a energia que poderia ter sido produzida, mas não foi liberada pela rede. A área de atuação da Atlas inclui o quinto maior mercado de energia eólica e solar do mundo.
A empresa informou que cerca de 1,5 gigawatt ficou em espera no Brasil, para projetos que já tinham início de construção programado. Barrera destacou ainda que o cenário atual traz custos adicionais, pois as geradoras precisam comprar energia suplementar para cumprir contratos quando a produção é restringida.
Desenho do mercado aumenta pressão sobre geradores
O excesso de energia solar, aliado a limitações de transmissão, elevou o custo de operação. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) exige compras de energia mais caras para compensar a queda na oferta de geração. O impacto aparece em contratos e fluxo de caixa das empresas.
Recentemente, a Fitch Ratings revisou perspectivas negativas para 11 projetos de energia renovável no Brasil, projetando cortes de 7% a 25% em 2025, com reflexos sobre liquidez e serviço da dívida. A avaliação aponta que cortes devem persistir até 2030, conforme o mercado se ajusta.
Barrera apontou que as mudanças no desenho do mercado devem levar tempo. A previsão é de melhora gradual apenas a partir de 2028, quando a velocidade de adição de capacity solar deve diminuir e a demanda continuar crescente. Mesmo com melhorias de transmissão, o excesso de capacidade tende a permanecer.
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