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BC alerta: endividamento das famílias atinge nível histórico e segue aumentando

Banco Central alerta que endividamento das famílias permanece em patamar histórico e, com juros elevados, exige cautela na concessão de crédito

Edifício-sede do Banco Central, em Brasília
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  • O Comef do Banco Central informou que o endividamento das famílias ficou em 49,8% da renda disponível em março, perto do recorde histórico, com comprometimento de renda em 29,3%.
  • O órgão ressalta que cresce o uso de crédito mais caro, o que demanda cautela e diligência adicionais no mercado.
  • O governo relançou o Desenrola Brasil, com descontos de até 90% na renegociação de dívidas e juros limitados a 1,99% ao mês, em ano eleitoral.
  • O crédito via mercado de capitais voltou a acelerar, mas o crédito para micro, pequenas e médias empresas arrefeceu; grandes empresas mostraram retração ou recuperação conforme o segmento.
  • O BC alertou sobre dificuldades na avaliação de riscos de fundos de investimento com estruturas em múltiplas camadas, citando o caso Master e redes associadas.

O Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) do Banco Central divulgou ata nesta quarta-feira, 3, alertando que o endividamento e o comprometimento de renda das famílias brasileiras atingiram patamar histórico e continuam em alta. O comitê sinalizou que o aumento de crédito com juros mais elevados deve seguir impactando a renda.

Segundo o BC, parte da dívida das famílias passa a ter custo maior, o que eleva o peso do endividamento em relação à renda disponível. Em março, o endividamento chegou a 49,8% e o comprometimento de renda ficou em 29,3%.

A ata registra que o cenário de juros elevados exige cautela adicional na concessão de crédito. O BC lembra que o crédito via financiamento tradicional tem desacelerado, mesmo com a Selic em 14,5% ao ano.

Desenrola Brasil e medidas do governo

O governo relança o programa Desenrola Brasil, com descontos de até 90% na renegociação de dívidas e juros limitados a 1,99% ao mês, buscando reduzir o superendividamento. A iniciativa também envolve expectativa de uma linha para consumidores adimplentes, mas com renda fortemente comprometida.

O BC destacou que, desde o último encontro, o crédito bancário desacelerou diante do juro elevado, enquanto o financiamento via mercado de capitais voltou a crescer acima do ritmo do crédito bancário. Grandes empresas mostraram reaceleração, enquanto micro, pequenas e médias empresas tiveram arrefecimento no crédito.

Riscos coletivos e vigilância do BC

O comitê apontou que o aumento do crédito está menos intenso em operações de maior risco para famílias, mas ainda assim supera o crédito de menor risco. O BC acredita que o mercado de capitais ganha relevância como fonte de financiamento, mesmo com incentivos a debêntures e resgates líquidos em fundos de crédito privado.

Entre os apontamentos, o Comef reforçou que o cenário de juros elevados impacta empresas de todos os portes, com a materialização de risco ainda elevada e em ascensão. A ata também chamou a atenção para dificuldades na avaliação de riscos ligados a fundos de investimento estruturados em múltiplas camadas, citando o caso Master como referência.

O caso Master envolve fraudes com ao menos 216 fundos e 143 empresas, com operações ligadas a ativos podres e créditos de carbono. A nota do BC enfatiza a complexidade de estruturas com várias camadas que dificultam o mapeamento de riscos.

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