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Bloqueio do orçamento pode comprometer fiscalização das agências reguladoras

Bloqueio de cerca de 18% nas despesas discricionárias coloca em risco a fiscalização, regulação e contratos de longo prazo, com impactos em serviços e investimentos

Órgãos criticam sucessivos cortes orçamentários em meio ao aumento de responsabilidades impostas pelo governo. (Foto: André Coelho/EFE)
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  • O bloqueio de R$ 23,6 bilhões nas despesas discricionárias do Orçamento da União reduz, segundo o Comitê das Agências Reguladoras Federais (Coarf), aproximadamente 18% dessas despesas, impactando investimentos em infraestrutura.
  • O Coarf diz que o corte pode comprometer a fiscalização, regulação e o acompanhamento de contratos públicos, além de afetar a inovação tecnológica e a previsibilidade regulatória.
  • O MPO informou que o bloqueio atingiu ministérios e órgãos de forma ampla, buscando proporcionalidade entre bloqueios e o volume de despesa discricionária.
  • Na aviação, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) prevê redução de cerca de 40% na fiscalização e suspensão de certificações, com atrasos em tecnologia e projetos de segurança.
  • A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima queda na fiscalização e atrasos em projetos de modernização, com reflexos potenciais no setor elétrico; outros órgãos também avaliam impactos.

O governo bloqueou parte do orçamento da União, o que preocupa as agências reguladoras federais. O fato foi anunciado na última semana pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), com cortes de 23,6 bilhões de reais nas despesas discricionárias. O Coarf afirma que o ajuste reduz a capacidade de fiscalização, regulação e acompanhamento de contratos.

Em comunicado, o Comitê das Agências Reguladoras Federais alerta para impactos na operação e na qualidade dos serviços públicos. Segundo o Coarf, o bloqueio compromete investimentos estratégicos e aumenta a insegurança jurídica para investidores e empresas. A entidade aponta que a atuação regulatória já foi reduzida nos últimos anos.

O MPO informou que o bloqueio atingiu ministérios e órgãos de forma ampla, buscando proporcionalidade entre restrições e o volume de despesa discricionária. A avaliação geral é de que a medida afeta áreas diversas, com impactos variando conforme o órgão.

Cortes nas agências

Entre os maiores bloqueios estão o Banco Central, com 92,4 milhões de reais, e a ANTT, com 57 milhões. O Banco Central teme queda em investimentos em tecnologia e operação, incluindo o PIX, além de comprometer a fiscalização do sistema financeiro.

A ANTT afirma que os recursos podem atrasar cronogramas de leilões de concessões, além de afetar a fiscalização de transporte de passageiros e cargas e projetos de modernização tecnológica.

Anac e Aneel

Na aviação civil, a Anac estima que o bloqueio de 24 milhões de reais reduza cerca de 40% das ações de fiscalização sobre empresas reguladas. A agência suspende ainda provas de certificação de pilotos e comissários, além de adiar certificações de novas aeronaves.

A Aneel informou que o bloqueio de 34,3 milhões de reais pode reduzir fiscalizações de equipes próprias e prejudicar parcerias com 16 agências reguladoras estaduais. A autarquia prevê atrasos em projetos de tecnologia e alerta para reflexos no setor elétrico.

Outros impactos

As demais agências estudam impactos e áreas prioritárias para realocar recursos. O cenário atual sugere possível atraso em contratos, regulação de serviços públicos e projetos de infraestrutura conectados a investimentos privados e governamentais.

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