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Carne brasileira citada em relatório dos EUA, mas sem tarifas

Relatório dos EUA usa carne bovina do Brasil como exemplo para sobretaxa de 12,5% a 60 economias, mas o alimento fica fora da lista de tarifas

China já comprou 25% mais carne bovina esse ano que em 2025
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  • O governo dos Estados Unidos usa a carne bovina brasileira como estudo de caso em relatório que embasa a proposta de sobretaxa de 12,5% sobre produtos de 60 economias investigadas por suposta falha em impedir trabalho forçado.
  • A carne bovina brasileira, porém, fica de fora da lista de setores que sofreriam a sobretaxa na proposta divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
  • O relatório nota que o Brasil teria “trabalho forçado” na produção de gado e aponta impacto sobre exportações norte-americanas para a China como parte da justificativa.
  • Dados apresentados destacam que as exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China cresceram de 94 mil toneladas em 2015 para 1,65 milhão de toneladas em 2025; a participação brasileira subiu de 38% para 53%, enquanto a norte‑americana caiu de 6% para 2%.
  • O documento cita preço médio de US$ 2,40 por quilo da carne brasileira na China em 2025, ante US$ 4,20 por quilo da carne dos Estados Unidos, sugerindo maior competitividade do produto brasileiro; apesar disso, a cadeia da carne bovina fica excluída da sobretaxa na proposta.

O governo dos Estados Unidos citou a carne bovina brasileira como estudo de caso em um relatório que embasa a proposta de sobretaxa de 12,5% contra 60 economias. A divulgação ocorreu nesta quarta-feira, 3, pelo USTR, órgão responsável pelo comércio externo dos EUA. A ideia é punir países que não adotam mecanismos eficazes para impedir o uso de trabalho forçado na produção.

Apesar de usar o Brasil como exemplo, a própria proposta exclui a carne bovina da lista de produtos que receberiam a sobretaxa. O anexo com exceções inclui cortes frescos, resfriados e congelados, além de carnes processadas, entre outros itens da cadeia da carne.

No relatório, o governo americano afirma que o trabalho forçado é utilizado na produção pecuária brasileira e sustenta que isso teria prejudicado as exportações dos EUA para a China. A análise aponta que parte das importações de carne brasileira pode ter origem nesse tipo de prática.

O documento registra que a China não aplica de forma efetiva uma proibição à entrada de produtos com trabalho forçado, o que, segundo os EUA, conferiu vantagem de custo à carne brasileira. A comparação mostra aumentos expressivos nas exportações brasileiras à China entre 2015 e 2025.

Entre os números apresentados, o Brasil teve crescimento das exportações de carne bovina congelada para a China, de 94 mil para 1,65 milhão de toneladas. A participação brasileira nas compras chinesas subiu de 38% para 53%, enquanto a fatia norte-americana caiu de 6% para 2%.

O relatório também aponta que o preço médio da carne brasileira vendida à China ficou em US$ 2,40 por quilo em 2025, inferior ao valor médio da carne dos EUA, de US$ 4,20 por quilo. Segundo os EUA, essa diferença reforça a percepção de vantagem competitiva do Brasil.

Apesar das críticas, a proposta de tarifa não atinge a cadeia completa da carne bovina, segundo o anexo do USTR. A exclusão demonstra distinção entre itens e reforça o argumento de que algumas mercadorias são consideradas indispensáveis à segurança alimentar.

A investigação sobre 60 economias foi aberta com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O Brasil é listado entre os países sob escrutínio por supostamente não ter mecanismos suficientes para coibir trabalho forçado na produção.

Conforme o USTR, o objetivo é reduzir distorções comerciais e proteger exportadores dos EUA. A decisão final sobre a aplicação da sobretaxa depende de consulta pública e de avaliação adicional da proposta.

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