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Conflito prolongado no Irã pode frear crescimento global e elevar inflação, diz OCDE

Guerra no Irã pode frear crescimento global e elevar inflação, se se prolongar, aumentando riscos de recessão e aperto monetário

— Foto: Mari Ana / Pixabay
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  • A OCDE alerta que a duração da guerra no Irã pode frear o crescimento global e aumentar a inflação.
  • No cenário base, o crescimento global cai de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026, subindo para 3,1% em 2027, com a produção de petróleo e gás do Golfo voltando a níveis próximos ao pré-crise a partir do terceiro trimestre.
  • Se a interrupção no abastecimento de energia se prolongar até o próximo ano, o crescimento global pode alcançar 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027, com risco de recessões em algumas economias asiáticas.
  • Em cenário de interrupção prolongada, a inflação pode subir, levando bancos centrais a elevar juros entre 0,5 e 0,75 ponto percentual no curto prazo.
  • Projeções regionais indicam EUA fortalecidos por exportações de energia, Europa com desaceleração da zona do euro, China desacelerando para cerca de 4,3–4,5%, e Brasil crescendo 1,6% em 2025 e 2,1% em 2027.

As perspectivas econômicas globais dependem da duração da guerra no Irã. A OCDE alerta que, se o conflito se estender até o próximo ano, a inflação pode subir e a atividade mundial sofrer uma retração mais acentuada.

Segundo a OCDE, um conflito curto permitiria a normalização gradual da produção de petróleo e gás no Golfo Pérsico a partir do terceiro trimestre. A escassez ficaria restrita à Ásia e seria amortecida por reservas estratégicas.

Caso a interrupção persista, o crescimento global pode cair para 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027, siglas históricas de recessões. Economias asiáticas dependentes de energia estariam entre as mais impactadas.

Cenários de impacto econômico

A organização aponta que a inflação global pode ganhar até 0,4 ponto percentual em 2026 e 1,3 ponto em 2027 com energia mais cara. Bancos centrais seriam pressionados a elevar juros no curto prazo.

No cenário base, a OCDE projeta inflação do G20 chegando a 4% neste ano e recuando para 3,1% em 2027, com política monetária estável em 2025 e cortes em 2026-27. Salários reais devem recuar em cerca de um terço das economias.

Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE, alerta que milhões de trabalhadores podem ver a renda medida em salários reais reduzir, pressionando o padrão de vida mesmo com inflação sob controle.

A OCDE também revisita a demanda por comércio mundial, com IA impulsionando investimentos e consumo de bens na Ásia. Esse dinamismo pode oferecer algum suporte ao crescimento global.

Nos Estados Unidos, as exportações de energia devem sustentar o crescimento, que pode recuar de 2,1% em 2025 para 2,0% em 2026 e 1,8% em 2027, segundo o cenário base.

A zona do euro deve desacelerar de 1,4% para 0,8% neste ano, com recuperação esperada para 1,2% em 2027, puxada por mercado de trabalho robusto e gastos com defesa. A China também deve desacelerar, para 4,5% em 2026 e 4,3% em 2027.

Para o Brasil, a OCDE projeta crescimento de 1,6% neste ano e 2,1% em 2027, com as exportações como principal motor em 2026, sustentadas por commodities e demanda chinesa.

A previsão de inflação aponta queda gradual, com desvio por pressões de energia e fertilizantes. O relatório reforça a necessidade de políticas responsáveis para mitigar impactos sociais e econômicos da crise.

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