- O dólar fechou em R$ 5,0668, com alta de 1,14%, em sessão marcada pela aversão ao risco e tensões no Oriente Médio.
- O Brent subiu para US$ 97,81 por barril, incentivado pela elevação dos preços do petróleo e pelo receio de abertura do estreito de Ormuz.
- O índice DXY, que acompanha o câmbio frente a seis moedas fortes, operou em terreno positivo, perto de 99,5 pontos.
- A volatilidade externa e a possibilidade de novas tarifas dos EUA sobre o Brasil contribuíram para a queda de ativos domésticos e maior cautela pré‑feriado.
- A pauta inclui dados de empregos dos EUA e a elevação de riscos fiscais no Brasil, com impactos na percepção de política monetária e atratividade do carry trade.
O dólar acelerou a alta nesta quarta-feira (3) acompanhado pelo ritmo das moedas globais, fechando acima de R$ 5,06. A tensão no Oriente Médio e a cautela antes do feriado contribuíram para o movimento. O real teve desempenho mais intenso entre as moedas, na esteira de fluxos de saída de ações locais.
O aperto inflacionário decorrente de uma nova rodada de altas no petróleo aumentou a percepção de pressões para juros nos EUA. O índice de Treasuries ganhou demanda, elevando o custo de carry trade e pressionando ativos emergentes.
Após registrar máxima de R$ 5,0902, o dólar encerrou em R$ 5,0668, alta de 1,14%. O dia marcou o maior fechamento desde 8 de abril, quando ficou em R$ 5,1029. O ano ainda registra queda do real, mas o desempenho de 2026 segue entre os melhores entre pares.
Fatores macro e tarifas
Dados positivos de emprego nos EUA alimentaram expectativas de alta de juros pelo Fed neste ano. Analistas destacaram que a leitura de Jolts e ADP elevou o temor de aperto monetário, o que reduz atratividade do carry trade.
No exterior, o petróleo recuou ou avançou conforme a percepção de avanço ou impasse em negociações no Oriente Médio. O Brent para agosto fechou em US$ 97,81, alta de 1,89%, repercutindo a incerteza sobre o fluxo de petróleo pelo estreito de Ormuz.
Mais adiante, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) indicou tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros a partir do dia 15. Na mesma linha, houve proposta de tarifa de 12,5% no âmbito de investigação sobre trabalho escravo. O conjunto envolve a União Europeia e 58 países.
Dinâmica de mercado e perspectivas
Especialistas apontam que o aumento da aversão ao risco externo pode ampliar a cautela antes do feriado, quando mercados locais costumam fechar. A confiança nas moedas emergentes enfrenta nova rodada de pressão fiscal e política doméstica.
Para o BS2, Ricardo Chiumento, o cenário atual reduz a atratividade do dólar a R$ 4,80 a R$ 4,90, com o risco fiscal brasileiro ganhando espaço na percepção de investidores. Ele também destacou impacto indireto das tensões externas sobre o câmbio.
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