- O USTR afirma que as exportações de carne congelada do Brasil para a China configuram “concorrência desleal” às dos Estados Unidos, alegando uso de trabalho forçado.
- Segundo o relatório, as exportações brasileiras para economias investigadas quase dobraram entre 2015 e 2025, enquanto as dos EUA subiram 21%.
- O documento aponta que as vendas do Brasil aumentaram mais de 17 vezes no período, superando o crescimento americano.
- O USTR cita dificuldades no rastreamento de trabalho forçado na produção de carne bovina brasileira, por causa da chamada “lavagem de gado”, mas diz que isso não invalida a conclusão de concorrência desleal.
- O relatório reconhece que fatores como o tamanho dos rebanhos dos EUA e tarifas chinesas podem influenciar a competição, mas sustenta que, sem proibição por trabalho forçado, os EUA teriam exportado mais para a China.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) encerrou na terça-feira uma investigação sobre trabalho forçado, envolvendo 60 países, entre eles o Brasil. O objetivo foi identificar falhas na restrição à entrada de produtos com mão de obra forçada.
O relatório classifica 54 economias como incapazes de impedir plenamente a importação de itens produzidos com trabalho forçado. O Brasil está entre esses países, segundo o documento do USTR.
O documento aponta que as exportações brasileiras de carne congelada para as economias investigadas quase dobraram entre 2015 e 2025, enquanto as norte-americanas subiram 21%. O aumento brasileiro é citado como exemplo de concorrência desequilibrada.
Segundo o USTR, as vendas do Brasil cresceram mais de 17 vezes no período 2015-2025, superando de longe o ritmo das exportações dos EUA. A agência afirma que o problema não inviabiliza a conclusão sobre concorrência desleal.
O relatório reconhece dificuldades de rastreamento de trabalho forçado na produção de carne bovina brasileira, como a chamada lavagem de gado. Contudo, sustenta que isso não impede a conclusão sobre o impacto na China.
O USTR admite que outros fatores, como o tamanho dos rebanhos nos EUA e tarifas chinesas de 2019, podem influenciar a competição. A agência sustenta que, se houvesse proibição por trabalho forçado, os EUA exportariam mais para a China.
No ano de referência, as exportações do agronegócio brasileiro para a China somaram mais de US$ 50 bilhões. A China reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa, o que tende a facilitar vendas com ossos ou miúdos.
Investigação do USTR foi concluída na terça (2/6). O órgão já propôs tarifas adicionais sobre o Brasil, incluindo medidas envolvendo o setor de carne. A conclusão envolve a percepção de competição desleal com produção norte-americana.
As informações citadas indicam que a relação comercial entre Brasil e China segue favorável ao Brasil, mesmo com questionamentos dos EUA sobre condições de trabalho. Autoridades brasileiras não reagiram com anúncio público imediato sobre as propostas.
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