- O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos afirma que é bem documentado o uso de trabalho forçado na produção de bovinos no Brasil, citando como exemplo o crescimento das exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China.
- Em 2025, Brasil e Estados Unidos foram grandes exportadores de carne bovina, respondendo por sessenta e oito por cento das vendas externas globais da proteína (Brasil 48%, EUA 19%).
- Segundo o relatório, as economias investigadas representaram 97% das exportações de carne congelada dos EUA e 90% das exportações de carne congelada do Brasil em 2025.
- Entre 2015 e 2025, o volume de exportação brasileira de carne congelada para as economias investigadas quase dobrou, enquanto as vendas americanas registraram aumento menor.
- As exportações brasileiras de carne bovina para a China cresceram de 94 mil toneladas em 2015 para quase 1,7 milhão de toneladas em 2025, com a participação do Brasil nas importações chinesas aumentando de 38% para 53% no período, e a dos EUA caindo de 6% para 2%.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) aponta que o crescimento das exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China, nos últimos anos, é apresentado como efeito da concorrência de trabalho forçado. O relatório relaciona esse fenômeno à queda de participação de mercado das exportações americanas.
Segundo o documento, o Brasil e os EUA são grandes produtores de carne bovina, respondendo por 48% e 19% das vendas externas da proteína em 2025, respectivamente. O relatório destaca ainda que, naquele ano, economias investigadas pela temática de trabalho forçado concentraram a maior parte das exportações de carne congelada.
O relatório descreve uma evolução entre 2015 e 2025: o volume brasileiro para as economias sob investigação quase dobrou, enquanto as vendas americanas cresceram menos. Em 2025, o Brasil enviou quase 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China, mantendo o país como principal fornecedor.
Desempenho na China e impactos nas importações
O texto aponta que as importações chinesas de carne congelada mostram efeitos negativos da concorrência de trabalho forçado sobre as exportações dos EUA, estendendo-se a bens agrícolas. A participação da carne brasileira na China aumentou, chegando a 53% em 2025, frente a 2% dos EUA no mesmo ano, contra 6% em 2021.
O relatório ressalta variações de preço entre as carnes brasileira e americana, citando que, embora nem todas as compras chinesas de carne brasileira sejam produzidas com trabalho forçado, a presença desse fator na produção brasileira sugere que parte das importações ocorreu total ou parcialmente com trabalho forçado.
O documento atribui ao que chama de ineficácia da China na aplicação de proibições de mão de obra forçada uma vantagem de custo para a carne brasileira, levando a uma concorrência distorcida. O USTR também cita que outros fatores, como o tamanho do rebanho dos EUA, podem influenciar a relação comercial, mas indica que regras iguais poderiam ter ampliado as vendas da carne americana para a China.
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