- Montadoras estão recalibrando potências de motores flex para reduzir o IPI, após a nova tabela do imposto, conhecida como IPI Verde, entrar em vigor.
- Modelos de Caoa Chery, Stellantis, Chevrolet, Volkswagen, Hyundai e outras marcas passaram a ter potências ajustadas para ficar em faixas que geram menos acréscimo de IPI.
- Exemplo recente: Tiggo 7 Sport/Pro e Tiggo 8 tiveram quedas de potência (1.5 turbo de 150 cv para 143 cv e 1.6 turbo de 187 cv para 180 cv), mantendo o torque.
- Mudanças também atingiram motores como T270 1.3 turbo (185 cv com etanol caiu para 176 cv), reduzindo o IPI em 1,5 ponto percentual para alguns modelos da Stellantis.
- Expectativa de novas recalibrações inclui o motor T200 1.0 turbo (de 125/130 cv para cerca de 116 cv), o que pode zerar a adição de IPI nos modelos equipados com esse motor, conforme apontado para veículos da Jeep e Fiat.
A redução da potência de motores é a estratégia adotada por empresas que operam no Brasil para reduzir a base de cálculo do IPI. A prática ganhou força após a divulgação da nova tabela do imposto, conhecida como IPI Verde, no âmbito do programa MovER. A mudança envolve veículos flex nacionais.
Segundo as montadoras, a ideia é manter a usabilidade dos carros, mas reduzir o tributo pago por cada unidade. A base de cálculo do IPI para automóveis parte de 6,3%, variando conforme motorização, conteúdo local e emissões. A potência passa a ter peso maior na tributação.
Aos poucos, o setor ajusta reprogramações dos motores usados no Brasil. Em linhas gerais, reduzir potência pode reduzir o IPI, preservando torque para manter desempenho. A expectativa é aumentar margens ou limitar reajustes de preço.
Impacto da nova tabela do IPI
A nova tabela estabelece faixas de potência associadas a acréscimos de IPI. Veículos com até 115,6 cv ficam sem aumento. Entre 115,7 cv e 142,8 cv pagam 0,75 pp a mais. Entre 142,9 cv e 179,5 cv, 1,5 pp. De 179,6 cv a 224,4 cv, 3 pp.
Casos recentes de recálculo mostram reduções de potência que rebaixam a classe tributária de alguns motores. Em muitos modelos, a intenção é manter o desempenho, mas fugir de acréscimos maiores no IPI.
A indústria aponta que mudanças na potência já chegaram a modelos de várias marcas, com impactos diferenciados por motorização. A estratégia evita pressões adicionais de custo e ajuda a manter competitividade no mercado.
Casos por fabricante com exemplos
A Caoa Chery reduziu a potência dos Tiggo 7 Sport, Tiggo 7 Pro e Tiggo 8. No 1.5 turbo, houve queda de 150 cv para 143 cv; no 1.6 turbo, de 187 cv para 180 cv. O torque foi mantido, e os carros passaram a ficar no teto da faixa correspondente.
A Stellantis recalibrou o motor T270 1.3 turbo, caindo de 185 cv para 176 cv. Assim, modelos Jeep e Fiat com esse motor podem ter aumento de apenas 1,5 pp, em vez de 3 pp, segundo apuração exclusiva.
A Chevrolet recalibrou o 1.0 turbo de 121 cv para 115 cv, mantendo torque estável em Onix, Onix Plus, Tracker e Sonic. A medida evita acréscimo de 0,75 pp no IPI nesses modelos.
A Volkswagen já adotou o motor 1.0 TSI de 116 cv em Polo, Virtus e Tera, sem aumento de IPI. Em versões com o 200 TSI, o imposto continua em 0,75 pp. A Tera já utiliza o 170 TSI para pagar menos.
A Hyundai recalibrou o motor TGDi 1.6 turbo do Creta, caindo de 193 cv para 176 cv. A redução move o Creta para a faixa de 1,5 pp de IPI. O i20 pode estrear com 115 cv, aumentando a atratividade de versões mais caras.
Essas mudanças, ainda incertas em parte, indicam tendência de uso de recalibrações para adequação à nova lógica de tributação. A adoção de motores recalibrados pode se espalhar para outros modelos e marcas.
Entre na conversa da comunidade