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Murtra celebra mudança de Bruxelas sobre fusões em telecomunicações

Marc Murtra celebra giro da UE sobre fusões em telecom e defende simplificação regulatória e IA própria para ampliar escala europeia

Marc Murtra durante su participación este miércoles en las jornadas del Cercle d, Economía, en Barcelona.
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  • Marc Murtra, presidente executivo da Telefónica, elogiou a mudança “copernicana” da Comissão Europeia sobre fusões no setor de telecomunicações, destacando a nova rota de fusões e aquisições da UE.
  • Murtra afirmou que é necessário acelerar a escala industrial dos operadores europeus para manter a competitividade em uma era de inteligência artificial e infraestrutura digital, defendendo a consolidação como ativo de escala da Europa.
  • O executivo comparou a Europa aos Estados Unidos, onde o tamanho das grandes empresas de tecnologia cresceu muito; indicou que, há uma década, o valor agregado das tech dos EUA era oito vezes maior que o setor de telecomunicações europeu, e hoje é setenta e nove vezes maior.
  • Ele alertou sobre vulnerabilidades da UE frente ao mercado americano e pediu simplificação regulatória e mudanças em critérios de gestão de riscos normativos, apontando que excesso de regulação eleva custos e freia inovação.
  • No plano corporativo, Murtra disse que a Telefónica estuda desenvolver apps de IA próprias e soberanas voltadas a tarefas específicas, com foco em Modelos de Linguagem Pequenos (SLM) para usos específicos na farmacologia e nas telecomunicações, ressaltando a necessidade de cooperação público-privada para financiar infraestruturas críticas.

Marc Murtra, presidente executivo da Telefónica, avaliou nesta quarta-feira, em Barcelona, a nova posição da União Europeia sobre fusões no setor de telecomunicações. Ele descreveu como um giro “copernicano” observado nos últimos quatro meses, impulsionado pela Lei das Redes Digitais, que pode favorecer a consolidação de operadoras no continente. A fala ocorreu durante a reunião anual do Cercle d’Economia.

Segundo Murtra, acelerar a escala industrial é essencial para manter a competitividade da Europa frente aos avanços em inteligência artificial e infraestrutura digital. O executivo ressaltou que o principal ativo de escala disponível na UE são as telecomunicações, defendendo que o setor seja autorizado a consolidar para acompanhar o ritmo do mercado.

O CEO comparou a situação europeia com o mercado dos EUA, onde o tamanho das grandes empresas de tecnologia aumentou significativamente. Dados apresentados por Murtra indicam que, há dez anos, o valor agregado das gigantes tecnológicas americanas era oito vezes maior que o das telecomunicações europeias; hoje, a diferença subiu para 69 vezes.

Com relação às vulnerabilidades da UE, Murtra apontou fragilidades na regulação de grandes firmas norte-americanas e a dificuldade de atuação das instituições comunitárias nesse cenário. Ele pediu redução de burocracia e revisão de critérios de gestão de risco regulatório para facilitar a atuação dos operadores europeus.

Apps de IA

Na parte empresarial, Murtra informou que a Telefónica estuda desenvolver aplicações de inteligência artificial próprias e soberanas, voltadas à automação de tarefas específicas. A estratégia envolve modelos de linguagem de menor escala (SLM), focados em funções pontuais para áreas como farmacologia e telecomunicações.

A companhia pretende investir em aplicações que atendam demandas internas, com foco na criação de soluções específicas em vez de grandes modelos generalistas. Murtra destacou que o caminho envolve iniciativas ainda incipientes, sem prometer resultados imediatos.

Sobre o panorama da IA, o executivo ressaltou a concentração de mercado: 49 dos 50 principais modelos de linguagem são de origem estadunidense ou chinesa, restando apenas a empresa francesa Mistral AI como exceção relevante na UE. Por isso, foi enfatizada a necessidade de mecanismos público-privados para sustentar demandas internas e financiar infraestruturas críticas.

Murtra também mencionou precedentes históricos de financiamento de centros de dados por parte de governos, citando exemplos de defesa dos EUA e planos chineses para desenvolvimento concentrado em grandes empresas, para justificar a importância de um ecossistema europeu robusto. Ele concluiu que a UE tem o PIB, talento, empresas e instituições, mas precisa acelerar a execução e criar incentivos adequados.

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