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Selic a 14%: XP reduz aposta em cortes ante inflação mais alta

IPCA mais alto leva Selic a encerrar em 14% em 2026; XP reduz expectativa de cortes e vê espaço limitado para queda da taxa

Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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  • A XP elevou a projeção da Selic para o fim de 2026, para 14% (era 13,75%).
  • A instituição também aumentou as previsões de inflação, com IPCA de 2026 em 5,5% e IPCA de 2027 em 4,2%.
  • Com isso, o Copom deve ter menos espaço para queda da taxa, adotando postura mais cautelosa; a XP projeta apenas dois cortes de 0,25 ponto e pausa depois.
  • Fatores externos e internos pesam: tensões no Oriente Médio, petróleo alto, IA, risco de El Niño; no Brasil, medidas fiscais e de crédito podem somar cerca de R$ 200 bilhões e elevar o PIB em até 1,5 ponto percentual em 2026.
  • PIB previsto pela XP é de 2,0% para 2026 e 1,2% para 2027; o câmbio mais forte ajuda a conter inflação, mas não elimina riscos, especialmente com volatilidade eleitoral.

A XP divulgou, nesta segunda-feira, um relatório mensal de macroeconomia com ajustes nas suas projeções para a economia brasileira. A casa passou a estimar a Selic em 14% no fim de 2026, acima da leitura anterior de 13,75%. O motivo principal é a revisão das projeções de inflação.

A instituição também elevou as expectativas para o IPCA de 2026, de 5,3% para 5,5%, e para 2027, de 4,0% para 4,2%. A melhora vem acompanhada de maior cautela do Banco Central diante do cenário de preços mais firmes.

Principais projeções da XP

Caio Megale, economista-chefe da XP, aponta que a piora do quadro inflacionário deve levar o Copom a adotar postura mais conservadora. A XP passou a projetar apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic, seguidos de pausa para avaliação, em vez de três reduções.

A visão de crescimento para 2026 segue em 2,0%, apoiada pelo mercado de trabalho aquecido e por medidas de renda e crédito. Em 2027, a XP projeta desaceleração para 1,2%, com política monetária mais restritiva e menor impulso fiscal.

O relatório destaca que, no cenário doméstico, medidas fiscais e de crédito anunciadas desde 2025 podem somar cerca de R$ 200 bilhões, elevando a atividade no curto prazo e dificultando a desinflação. A moeda brasileira tem contribuído para atenuar pressões externas.

A XP ressalta que o real valorizado ajuda a conter parte da inflação importada, mas não elimina riscos, especialmente diante da volatilidade eleitoral esperada. Em termos de impacto, a projeção de juros mais altos reduz espaço para cortes adicionais sem comprometer as metas inflacionárias.

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