- O seguro rural no Brasil cobre uma parcela pequena da produção, com estimativas apontando cerca de 2,5% da área plantada protegida em 2025.
- Em 2024, enchentes no Rio Grande do Sul e seca no Norte provocaram prejuízos superiores a R$ 6,6 bilhões ao agronegócio brasileiro.
- Entre 2013 e 2022, eventos climáticos extremos causaram perdas acumuladas de R$ 287 bilhões, sendo a seca responsável por cerca de 87% desse total.
- Países como Estados Unidos, Canadá, Espanha e França têm modelos com maior participação estatal no seguro rural, contrastando com a realidade brasileira de cobertura baixa e subvenção insuficiente.
- A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo defende o “Projeto Brasil”, substituto do Plano Safra, para ampliar a proteção ao produtor, melhorar a previsibilidade e fortalecer o seguro rural como instrumento de segurança econômica e alimentar.
O agronegócio brasileiro é uma das maiores estruturas econômicas do país, exporta para mais de 100 países e sustenta a segurança alimentar. Ainda assim, carece de um sistema robusto de seguro rural para enfrentar choques climáticos e financeiros.
Eventos climáticos extremos vêm se tornando mais frequentes e imprevisíveis. Sem proteção adequada, produtores enfrentam perdas que afetam lavouras, pecuária, infraestrutura e a logística. O seguro rural no país continua insuficiente diante da magnitude do setor.
Somente em 2024, enchentes no Rio Grande do Sul e seca no Norte somaram prejuízos superiores a 6,6 bilhões de reais. Entre 2013 e 2022, perdas acumuladas atingiram 287 bilhões de reais, com a seca respondendo por cerca de 87% desse total. Ainda assim, a cobertura é de apenas cerca de 2,5% da área plantada em 2025.
Proposta Brasil e caminhos para a proteção
A Faesp defende o Projeto Brasil, uma alternativa ao Plano Safra, com políticas estruturais de longo prazo para fortalecer o seguro rural. A ideia é ampliar cobertura, facilitar o acesso aos recursos e aumentar a previsibilidade orçamentária para o produtor.
Países como Estados Unidos, Canadá, Espanha e França já contam com subsidiação governamental significativa, o que aumenta adesão e reduziu impactos de eventos extremos. Em especial, o modelo norte-americano subvenciona parte relevante dos prêmios e mantém mecanismos de proteção para pequenas propriedades.
Especialistas argumentam que ampliar a proteção rural reduz endividamento, preserva a capacidade produtiva e protege a segurança alimentar. O Brasil, pese a vocação, ainda trata o seguro como programa secundário, deixando o campo vulnerável diante de novas ondas de calor, geadas e inundações.
Em linhas gerais, a defesa é por uma política pública estável de gestão de risco. Com maior previsibilidade de investimento e cobertura ampliada, o setor ganharia em resiliência, empregos e equilíbrio da balança comercial. O objetivo é manter o produtor no campo, mesmo em cenários climáticos adversos.
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