- O índice de serviços caiu para 50,4 em maio, sinalizando quase estagnação da atividade (PMI).
- Os novos pedidos ficaram estagnados, com o indicador próximo ao nível neutro de 50,0.
- O setor de transportes, informação e comunicação foi o único a aumentar a produção.
- Houve forte elevação de preços cobrados pelos serviços, com repasse de custos aos clientes e inflação em alta em função da guerra no Oriente Médio.
- O PMI composto do Brasil caiu para 49,5 em maio, mostrando contração da atividade econômica como um todo.
SÃO PAULO, 3 jun (Reuters) – O setor de serviços no Brasil ficou quase estagnado em maio, diante de queda de novos pedidos e inflação elevada. A pressão de custos, acelerada pela guerra no Oriente Médio, reduziu a demanda e manteve o cenário frágil.
O PMI de serviços, da S&P Global, caiu para 50,4 em maio, frente a 52,3 em abril, aproximando-se do limiar de 50 que indica estagnação. A leitura aponta risco de desaceleração mais prolongada.
Várias empresas registraram menor atividade devido a pressões competitivas e questões financeiras. Os novos pedidos para fornecedores permaneceram próximos do neutro, sem fôlego para recuperação rápida.
Contexto de demanda e preços
O segmento de transporte, informação e comunicação foi o único a registrar aumento de produção, com o melhor desempenho de vendas, ainda que em ritmo mais fraco.
As vendas estagnadas em maio vieram acompanhadas por forte alta de preços cobrados pelos serviços, com inflação dos insumos no maior ritmo desde fevereiro de 2025. Custos elevados foram repassados aos clientes.
Os insumos subiram principalmente por custos com combustíveis, materiais de construção, químicos, eletrônicos, energia, alimentos, metais e embalagens, segundo as empresas pesquisadas.
A pesquisadora Pollyanna De Lima, da S&P Global Market Intelligence, indicou que fissuras surgem na economia de serviços, com orçamentos apertados levando consumidores a cortar gastos.
Os ganhos de emprego em maio também recuaram, em ritmo mais lento dentro de um período de quatro meses de geração de vagas, diante das pressões de custos.
O PMI Composto do Brasil voltou a registrar contração, atingindo 49,5 em maio, frente a 52,4 em abril, refletindo o enfraquecimento combinado de serviços e indústria.
Implicações e leitura do cenário
Especialistas destacam que o serviço atua como amortecedor da indústria, mas o papel vem perdendo força diante da inflação. Analistas veem resultados do segundo trimestre sob risco de frustração.
O dado reforça a necessidade de monitorar o comportamento de demanda, custos e confiança empresarial, conforme o governo e o setor privado avaliam caminhos para sustentar produção e empregos.
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