- Analista vê o IPO da SpaceX como fora da realidade, questionando governança, rentabilidade e uso de recursos para quitar dívidas, o que pode prejudicar acionistas desde o primeiro dia.
- Conforme o S‑1, cerca de US$ 62,6 bilhões (78% do total) já estão承盟 destinados ao pagamento de dívidas, restando menos de US$ 18 bilhões para investimentos; gastos com IA somaram quase US$ 8 bilhões no primeiro trimestre.
- SpaceX emite duas classes de ações: classe A, com dez votos, e classe B, com um voto; Musk controla cerca de 85% dos votos, pode nomear todos os membros do conselho e não pode ser removido como CEO.
- Estrutura permite que a empresa seja classificada como “empresa controlada” sem conselho independente, com disputas de acionistas resolvidas por arbitragem obrigatória, o que críticos veem como favorável à gestão.
- Para justificar a avaliação, Trainer estima que a SpaceX precisaria de US$ 1,1 trilhão em receita e US$ 248 bilhões em lucro líquido, números considerados improváveis diante da realidade do mercado e do crescimento da IA.
O analista David Trainer, CEO da New Constructs, classifica o IPO da SpaceX como fora da realidade e não recomenda o investimento. A avaliação negativa chega antes da estreia prevista na Nasdaq, que deve atrair grande expectativa entre investidores.
Trainer aponta que a oferta de US$ 80 bilhões seria usada majoritariamente para quitar dívidas e financiar uma corrida de IA, em vez de gerar lucros. A SpaceX divulgou planos de elevar capital para sustentar seu crescimento e investimentos.
A governança da empresa também é vista como desequilibrada. Musk controla 85% dos votos com a participação majoritária nas ações B, mesmo com cerca de 42% do capital. A estrutura permite que ele nomeie o conselho e os executivos.
O S-1 revela que Musk terá poder para influenciar decisões que exigem aprovação de acionistas. Além disso, a SpaceX pode ser classificada como empresa controlada, dispensando conselho independente em áreas-chave.
Estrutura de governança e uso de recursos
Segundo o documento, o IPO destina parte do caixa a dívidas com quatro credores, incluindo Valor Equity Partners, xAI, X Corp. e Echostar. A soma comprometida gira em torno de US$ 62,6 bilhões, restando menos de US$ 18 bilhões para investimentos.
No primeiro trimestre, os gastos com IA somaram quase US$ 8 bilhões e devem crescer. As áreas de negócio geram, juntas, menos de US$ 1 bilhão por ano em fluxo de caixa livre, segundo a análise.
Desempenho e comparação com concorrentes
Trainer aponta margens negativas de 7% e ROIC de -3% em 2025, escala fraca frente a pares de IA. Alphabet, Meta e Oracle apresentam margens e ROIC significativamente superiores. No setor de conectividade, nomes como T-Mobile e Vodafone também exibem resultados mais fortes.
A avaliação de SpaceX, conforme o analista, não se sustenta mesmo admitindo o poder de controle de Musk, a arbitragem de acionistas e o uso de recursos para pagamento de dívidas. Ele sustenta que a velocidade de crescimento necessária é improvável de ocorrer.
Projeções de retorno e conclusão de cenário
Para justificar o valuation, Trainer usa fluxo de caixa descontado e estima que a SpaceX precisaria gerar US$ 1,1 trilhão em receita e US$ 248 bilhões de lucro líquido. Atualmente, Amazon lidera em receita e Alphabet em lucro, respectivamente.
A conclusão do analista é que o retorno esperado é extremamente improvável, mesmo com o controle de voto concentrado. Em tal cenário, ele recomenda evitar o investimento no IPO.
Esta notícia foi baseada em informações divulgadas pela Fortune e revisada pela equipe editorial. As fontes citadas são tratadas como referência, sem divulgar contatos de outros portais.
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