- Bancos centrais de Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Sul e Indonésia estão endurecendo o tom ou aumentando as taxas de juros diante da inflação mais alta.
- Na Nova Zelândia, a nova governadora do Banco Central, Anna Breman, rompeu o tom contido ao votar contra o adiamento de aumentos, sinalizando subida das taxas já na próxima reunião de julho.
- A decisão do comitê de política monetária da Nova Zelândia ficou empatada, e apenas o voto de Breman impediu um choque maior para a inflação.
- Na Coreia do Sul, o novo governador do Banco Central apontou caminho firme de aperto, com inflação de 3,1% em maio e expectativa de ao menos quatro altas no próximo ano.
- Países asiáticos já promovem altas em seus bancos centrais, citando a inflação elevada e a necessidade de sustentar moedas, enquanto a era de maior facilidade monetária chega ao fim.
O que está em jogo muda rapidamente entre bancos centrais. Em nações como Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Sul e Indonésia, autoridades monetárias passaram a adotar tom mais firme e a sinalizar altas de juros para conter a inflação. A escalada chega após um período anterior de cautela.
Na Nova Zelândia, a nova governadora do Reserve Bank (RBNZ), Anna Breman, pressionou pela paciência até a última reunião, quando o comitê ficou empatado sobre o imediato reajuste. O voto decisivo foi de Breman, que freou a queda de braço com inflação mais alta. A mensagem é de que altas devem ocorrer, possivelmente já na próxima reunião, em julho.
Antes da mudança no RBNZ, economistas avaliavam que os aumentos de juros na Nova Zelândia ficariam distantes, com previsões apontando setembro como início do aperto. O cenário refletia crescimento fraco, mercado de trabalho moderado e recuo do crédito imobiliário, aliados a uma comunicação mais branda do banco central.
Essa postura mais contida acabou sendo substituída por uma abordagem mais dura. Números mostram inflação na casa de 4,2% neste trimestre, acima da meta de 1% a 3%. Autoridades do banco central acreditam que a inflação pode se consolidar se não houver ação, o que eleva a probabilidade de ajustes futuros.
Logo após a decisão na Nova Zelândia, o Banco Central da Coreia do Sul sinalizou reação firme à aceleração inflacionária. O novo governador Shin Hyun Song reconheceu que haveria argumento para subir juros na reunião, destacando que dois dos sete membros desejavam ação imediata.
Dados divulgados mostraram inflação sul-coreana de 3,1% em maio, acima das previsões e acima da meta. Operadores já esperam ao menos quatro alta de juros ao longo de 12 meses, com a expectativa de um aperto ainda em julho.
Outros bancos da região já tinham elevado juros recentemente. Austrália, Indonésia e Filipinas já subiram as taxas para enfrentar a inflação e, em alguns casos, defenderam suas moedas diante da fuga de capitais. A probabilidade de novos aumentos permanece alta.
O período de política monetária favorável, que favoreceu redução de inflação sem frear crescimento, tende a ficar para trás. Especialistas destacam que o desafio atual envolve manter a inflação sob controle sem sufocar o emprego e a atividade econômica.
A tendência global aponta para bancos centrais reavaliando seus equilíbrio entre combate à inflação e apoio ao crescimento. Especialistas afirmam que as condições econômicas mudaram e que as autoridades devem agir com firmeza para manter a credibilidade.
Os próximos meses devem esclarecer a intensidade dos ajustes regionais, especialmente na passagem entre medidas calibradas e respostas mais agressivas diante da inflação em ascensão. As autoridades ressaltam que o combate aos preços continua prioridade.
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