- Economistas da Fed de Boston dizem que mudanças desde a década de setenta — mais eficiência energética e maior produção doméstica — reduzem o impacto do preço do petróleo na inflação.
- O estudo indica que o choque atual tem efeito inflacionário maior do que o esperado, mas causa menos oscilações no emprego comparado a choques anteriores.
- Com isso, a política monetária pode se concentrar mais nos efeitos inflacionários dos choques de energia do que nas consequências sobre o emprego.
- O relatório aponta que as pressões inflacionárias relacionadas à guerra no Oriente Médio devem ser avaliadas ao longo do tempo, sem esperar o mesmo peso de crises passadas.
- A divulgação coincide com a próxima reunião do Federal Reserve, nos dias 16 e 17 de junho, quando a autoridade monetária deve manter a meta da taxa de juros entre 3,50% e 3,75%.
O Federal Reserve (Fed) pode direcionar sua política monetária para o impacto inflacionário do choque de petróleo, segundo estudo da divisão de Boston divulgado nesta quinta-feira. A pesquisa reforça que mudanças no uso de energia alteraram a sensibilidade da inflação.
Os economistas de Boston afirmam que a economia dos EUA está mais conectada à produção doméstica de energia e mais eficiente energeticamente desde os anos 1970. Assim, aumentos no preço do petróleo pesam menos sobre a inflação atual.
Com isso, o aumento da produção de energia doméstica pode manter o emprego estável ou até elevado, compensando perdas de trabalho associadas a choques de energia. A desinflação decorrente das quedas de emprego seria menor.
O estudo aponta que o choque atual é relevante, porém menor do que os choques de 1973-74 e 1978-80. Em consequência, a política monetária pode priorizar efeitos inflacionários dos choques petrolíferos.
As autoridades do Fed analisam o caminho da política monetária para a próxima reunião, marcada para 16 e 17 de junho. A expectativa é manter a meta da taxa entre 3,50% e 3,75% por enquanto.
Alguns membros do Fed cogitam alta de juros ainda neste ano caso a inflação não recue. A pesquisa de Boston sugere que esse caminho pode ocorrer sem impactos consideráveis no mercado de trabalho.
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