- Fondos com valores cristãos somaram cerca de US$ 120 bilhões em setembro, com ativos duplicando nos últimos cinco anos, segundo a Brightlight.
- Existem 166 fundos baseados em princípios cristãos no mundo; no último ano foram criados quinze novos produtos, totalizando mais de US$ 1 bilhão em patrimônio adicional.
- O conceito exclui empresas associadas a anticoncepcionais, pesquisas com células-tronho embrionárias e outras que violem direitos humanos, entre outros critérios éticos.
- As gestoras costumam usar assessores externos, como Portocolom e Goodway, para aplicar os critérios éticos cristãos e orientar investimentos, incluindo ETFs específicos.
- O debate envolve a integração da inteligência artificial: a encíclica do papa León XIV critica concentração de poder, enquanto fundos cristãos avaliam impactos sociais da IA e seguem critérios éticos na seleção de ativos.
A preocupação ética converteu-se em estratégia de investimento. Fundos que aplicam apenas em empresas alinhadas a valores cristãos cresceram de forma expressiva nos últimos anos, excluindo riscos como violação de direitos humanos ou atividades controversas. O movimento acompanha a ideia de investir com uma missão.
Dados globais indicam que esses fundos duplicaram o patrimônio em cinco anos, chegando a quase 120 bilhões de dólares até setembro do ano passado. O crescimento é atribuído ao bom desempenho dos mercados e ao fluxo contínuo de recursos, além da demanda de instituições religiosas para gerir seus patrimônios.
Panorama mundial
A demanda por gestão de valores religiosos ganhou impulso após a crise de 2008, quando gestores passaram a adotar critérios éticos mais rigorosos. Hoje existem 166 fundos baseados em princípios cristãos, segundo a Brightlight, com 15 novos produtos no último ano e patrimônio agregado superior a 1 bilhão de dólares.
Quem está envolvido
Entre as gestoras presentes no mercado espanhol e internacional, Portocolom figura como uma das maiores consultorias em investimento com finalidade religiosa. A empresa, criada em 2008, colabora com ordens religiosas que respondem pela maior parte dos clientes dos produtos.
Critérios e orientações
As regras derivam de diretrizes como Mensuram Bonam, criadas pela Igreja, que oferecem diretrizes gerais, não obrigatórias. O Banco do Vaticano publicou índices para valores selecionados, servindo mais como referência do que como regra vinculante. Instituições recorrem a plataformas externas para avaliação de ativos com base em ética cristã.
Ofertas e formatos
A oferta abrange desde fundos tradicionais geridos por equipes experientes até ETFs que replicam uma cesta de ações com comissões geralmente mais baixas. ETFs exemplificam a tendência de gestão passiva dentro de critérios éticos cristãos.
IA e tecnologia
A recente discussão envolve a inteligência artificial, com a encíclica papal questionando o poder concentrado na tecnologia. Investidores avaliam como esses princípios acompanham o avanço tecnológico, com debates sobre impacto social e limites éticos.
Exemplos de produtos
Alguns veículos, como o Franklin MSCI World Catholic Principles UCITS ETF, acumulam retornos superiores ao mercado desde seu lançamento em 2024, ainda que certos componentes tecnológicos sejam avaliados por diferentes índices católicos. Empresas como Nvidia, Apple e Tesla aparecem em índices específicos, conforme critérios de cada gestor.
Perspectivas de mercado
Especialistas destacam que a combinação de ética e gestão de risco pode favorecer resiliência a longo prazo, apesar de, em períodos de alta volatividade, esses fundos terem apresentado desempenho um pouco abaixo de mercados amplos. O tema permanece aberto a futuras implantações.
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