- Um grupo de jornalistas cubanos lançou El Estornudo, em 2016, com foco em jornalismo investigativo de longo formato sobre Cuba, buscando narrar a vida no país sem interferência.
- Eles enfrentaram resistência do governo, bloqueio do site e pressão da imprensa estatal, o que levou a conflitos com editores e mudanças de foco.
- O surgimento da internet em Cuba foi crucial: hotspots públicos surgiram em mil quinhentos e quinze, tornando possível publicar e divulgar bem mais, ainda que com alto custo e censura.
- O autor relata uma detenção e interrogatórios na Secretaria de Estado, abuso físico e pressão para assinar documentos, além de ter sua imagem veiculada na televisão estatal.
- Após esses episódios, ele foi forçado a deixar Cuba e hoje vive no exílio na Espanha; a experiência ajudou a impulsionar a defesa de imprensa independente na região.
El Estornudo foi lançado em 14 de março de 2016 por um grupo de jovens jornalistas cubanos, que desejavam publicar reportagens de longo fôlego sobre a realidade de Cuba sem censura. O projeto nasceu em Havana, diante das limitações do panorama midiático no país.
A iniciativa ocorreu em meio ao avanço da internet no país, com hotspots públicos e custos elevados para acesso. Sem escritório próprio, a equipe operava de espaços públicos, parques e casas adaptadas, buscando independência e jornalismo investigativo.
Os fundadores queriam não tomar partido político, mas manter rigor na apuração. O objetivo era dar voz a quem havia sido silenciado, privilegiando reportagem aprofundada e narrativas de vida cotidiana.
Prisão e interrogatório
Em 2019, o jornalista Abraham Jiménez Enoa foi alvo de intervenção das autoridades de segurança. Ele chegou a ser detido e interrogado na cidade de Havana, com a condução a Villa Marista, a sede da polícia estatal. O episódio envolveu revista de dispositivos e coerção.
Durante o interrogatório, agentes questionaram a credibilidade do trabalho e alegaram ligações a veículos estrangeiros. O jornalista relatou humilhação, apreensão e uso de medidas coercitivas, incluindo condução sem justificativa clara.
Após o episódio, o jornalista descreveu o impacto na carreira e na reputação, incluindo a veiculação de imagens da abordagem pela televisão estatal. O caso chamou atenção internacional e foi assunto de publicações de opinião, embora não tenha produzido condenação judicial imediata.
Consequências e desdobramentos
O episódio acelerou o exílio do jornalista, que hoje vive em Espanha. A experiência destacou dificuldades de atuação de jornalistas independentes cubanos diante de pressões estatais e de restrições à imprensa.
Desde então, El Estornudo continuou a atuar fora de Cuba, buscando financiamento internacional para sustentar o jornalismo investigativo. A obra destaca a persistência de relatoural independente frente a censuras.
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