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Krugman afirma que tarifas de Trump repetem estratégia possivelmente ilegal

Krugman afirma que nova rodada de tarifas de Trump repete estratégia ilegal, com justificativas frágeis, afetando Brasil e outros parceiros comerciais

Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia
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  • O Nobel de Economia Paul Krugman afirma que a nova rodada de tarifas anunciada pela administração Trump deve ser considerada ilegal em breve, repetindo uma estratégia de interpretações amplas de leis comerciais.
  • Segundo Krugman, parte das tarifas anteriores já foi derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos e a Casa Branca busca justificativas legais para manter a política.
  • O Escritório do Representante de Comércio dos EUA anunciou uma nova investigação contra vários parceiros comerciais, incluindo União Europeia, Japão e Brasil, alegando falhas em impor proibição a bens produzidos com trabalho forçado.
  • O Brasil está entre os mais afetados; a tarifa brasileira ficou na faixa mais alta, 12,5%, dia após recomendar tarifa adicional de 25% sobre exportações nacionais; a Amcham Brasil estima que mercadorias podem enfrentar tarifas acumuladas de até 37,5%.
  • Krugman sustenta que as tarifas não atingiram seus objetivos e são amplamente impopulares; pesquisas indicam apoio de parte da população para a elevação de preços, e ele aponta que Trump dificilmente abandonará a política tarifária.

Paul Krugman, Nobel de Economia, afirma que a nova rodada de tarifas anunciada pela administração de Donald Trump reproduz uma estratégia que, na visão dele, tende a enfrentar escrutínio judicial difícil de sustentar. O texto foi publicado nesta quinta-feira.

Segundo Krugman, a Casa Branca vem recorrendo a interpretações amplas de leis comerciais para impor sobretaxas sem a aprovação do Congresso. O economista lembra que parte das tarifas anteriores já foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA e sustenta que a administração busca justificativas legais sucessivas para manter a política.

A crítica foi publicada após o USTR anunciar uma nova investigação contra vários parceiros comerciais, entre eles a União Europeia, o Japão e o Brasil. Washington sustenta que esses países não impõem nem aplicam de modo eficaz uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

Contexto

Para Krugman, a justificativa associada a essas tarifas é insustentável. O economista afirma que a suposta base legal para as medidas é falha, e que parceiros como a UE costumam manter padrões semelhantes de combate ao trabalho forçado.

O Nobel questiona se a UE e outros aliados seriam menos rigorosos do que os EUA nesse tema, classificando a fundamentação como uma tentativa de contornar a legislação doméstica e acordos internacionais. A avaliação dele é de que a estratégia não se sustenta a longo prazo.

O Brasil figura entre os países com maior impacto da nova proposta. O USTR inclui produtos brasileiros na faixa mais alta de sobretaxa, de 12,5%, após recomendar uma tarifa adicional de 25% sobre exportações nacionais por alegadas práticas comerciais irracionais. A Amcham Brasil aponta que algumas mercadorias podem enfrentar tarifas cumulativas de até 37,5%.

Krugman ainda sustenta que as tarifas não alcançaram seus objetivos declarados, como incentivar a recuperação da indústria americana. Além disso, aponta que as medidas são amplamente impopulares entre diferentes grupos políticos.

Impacto para o Brasil

Citando dados de pesquisas, o economista destaca que uma parcela significativa dos eleitores nos EUA percebe aumento de preços para consumidores devido às tarifas. Segundo a leitura dele, 64% dos republicanos, 67% dos independentes e 77% dos democratas apoiam a ideia de que os custos recairam sobre os consumidores.

Ainda assim, Krugman considera improvável que Trump recue na política tarifária, argumentando que abandonar o modelo equivaleria a admitir fracasso. Em tom irônico, o autor sugere que uma mudança de rumo seria tão improvável quanto acreditar em uma vitória rápida sobre o Irã.

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