- A Solos, startup baiana, gerou R$ 10 milhões em renda para catadores desde a sua fundação, conectando cooperativas, marcas e poder público.
- No Carnaval de Salvador 2026, mais de 46 toneladas de latinhas foram recolhidas, recorde mundial para ações desse tipo.
- O modelo soma três frentes: operações em grandes eventos, logística reversa em parceria com marcas e créditos de reciclagem que agregam valor aos resíduos.
- A renda para catadores vem de pagamento direto, repasse pela venda dos materiais coletados e participação nos créditos de logística reversa, sem depender de doações.
- Em 2025, o Banco do Nordeste aportou R$ 1 milhão, via Lei de Incentivo à Reciclagem, para expansão e inclusão produtiva de catadores, com foco no Nordeste.
No fim de fevereiro de 2026, enquanto o Carnaval de Salvador terminava, catadores recolheram mais de 46 toneladas de latinhas na festa. A ação entrou para o Guinness World Records e consolidou a Solos como uma startup que gera renda para moradores da cadeia da reciclagem.
A Solos, startup baiana, atingiu R$ 10 milhões em renda gerada para trabalhadores do setor desde a sua fundação. O marco ocorre em meio ao Dia Mundial do Meio Ambiente, evidenciando um modelo que transforma resíduos em valor para marcas, prefeituras e cooperativas.
A empresa atua com três pilares: operações em grandes eventos, logística reversa com marcas e a geração de créditos de reciclagem. O modelo paga catadores, repassa pelo material comercializado e participa dos créditos de logística reversa.
Logística reversa como negócio
A operação da Solos envolve festivais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, mobilizando catadores para coletar materiais durante e após as festas. Em parceria com Ambev, Heineken e Braskem, a empresa estrutura sistemas de logística reversa.
Os créditos de reciclagem agregam valor econômico aos resíduos, fortalecendo o portfólio da empresa. A renda vem do pagamento direto pelos serviços, da venda dos materiais e da participação nos créditos, sem depender de doações.
Saville Alves, cofundadora, afirma que o modelo cria massa, engaja o cidadão e promove inclusão social por meio de uma triangulação entre marcas e setor público. Em 2025, o Banco do Nordeste investiu R$ 1 milhão na expansão.
Nordeste como escolha estratégica
A maior parte das operações que contribuíram para o marco ocorreu no Nordeste, região escolhida intencionalmente pela Solos. A estratégia prioriza áreas com infraestrutura de reciclagem menos desenvolvida, ampliando o impacto de cada real investido.
Programas como Recicla Capital, Roda, Reciclo e Virado foram desenvolvidos pela Solos, articulando cooperativas com empresas e prefeituras. A parceria com a Prefeitura de Salvador viabilizou o Carnaval 2026 e o recorde mundial.
Renda no bolso de catadores
Eduarda Sant’Anna, a Duda, entrou para uma cooperativa em 2017 e, desde 2021, atua com a Solos em Porto Alegre, além de educação ambiental. Ela ressalta o respeito e a importância do trabalho para a sociedade.
A geração de renda é vista como principal ganho, segundo a fundadora. Saville destaca que soluções voltadas a pessoas vulneráveis ajudam a enfrentar crises, ampliando o impacto social da operação.
O que vem a seguir
Com R$ 10 milhões distribuídos e o apoio do Banco do Nordeste, a Solos segue consolidada em 2026. Parcerias com grandes empresas tendem a crescer conforme a regulação de logística reversa avança.
O mercado de créditos de reciclagem no país ganha fôlego, abrindo novas fontes de receita para o modelo da Solos e ampliando a renda repassada às cooperativas. A empresa reforça que faz parte de uma transformação coletiva.
Entre na conversa da comunidade