- O ministro Mauro Vieira disse, em Paris, que há falta de compreensão dos EUA sobre a balança comercial Brasil‑Estados Unidos e pediu diálogo para evitar um tarifaço de até 37,5%.
- Em reunião da OCDE, ele informou que o USTR recomendou sobretaxas de 25% por práticas desleais e mais 12,5% por não combater o trabalho forçado nas fábricas.
- Vieira relatou encontro rápido com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, destacando disposição de continuar as negociações para resolver a questão.
- O chanceler lembrou que, nos últimos 15 anos, o Brasil acumulou déficit de US$ 450 bilhões com os EUA, e que não há superávit para justificar tarifas.
- Sobre o cenário de tarifas, há uma cobrança global temporária de 10% que deve caducar; nos últimos dias, os EUA apresentaram propostas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em Paris, durante uma reunião da OCDE, que há falta de compreensão do governo dos EUA sobre a balança comercial com o Brasil. A crítica acompanha a recomendação de um novo tarifaço que pode chegar a 37,5% para algumas mercadorias.
Segundo Vieira, os Estados Unidos não entenderam bem o tema apresentado pelo USTR, que propõe 25% por práticas desleais e 12,5% por não frear o uso de trabalho forçado. Ele disse que o tema precisa ser levado ao presidente Trump para solução.
O chanceler detalhou o encontro com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, ocorrido na abertura da sessão ministerial. Foi descrito como breve, mas produtivo, com o objetivo de manter o diálogo para evitar novas sobretaxas.
Contexto das sobretaxas
Vieira ressaltou que o Brasil tem respondido a todas as perguntas da investigação da Seção 301, com apoio de uma força-tarefa de diferentes ministérios. O governo argumenta que não há superávit com os EUA: nos últimos 15 anos, o déficit soma US$ 450 bilhões.
Atualmente há uma tarifa global temporária de 10% que deve terminar em breve. O USTR já havia recomendado, na terça, uma tarifa de 25% sobre várias importações brasileiras, por práticas comerciais, digitais e ambientais.
Na quarta, a mesma autoridade indicou mais 12,5% de sobretaxa para todos os produtos do Brasil por falhas no combate ao trabalho forçado. A lista de países alvo inclui cerca de 60 nações sob alegações semelhantes.
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