- BID testa infraestrutura regional de liquidação com moedas digitais emitidas por bancos centrais (TCBM) para pagamentos transfronteiriços na América Latina e Caribe, sem depender diretamente do dólar ou de bancos correspondentes.
- Iniciativa CBWeb3 não cria moeda única regional; cada banco central emitiria sua moeda tokenizada para transações entre países, com liquidação em ambiente de teste.
- O piloto envolve dois modelos: reconstrói a lógica dos bancos correspondentes em token, e usa pools de liquidez com algoritmos de conversão entre moedas, baseados na oferta e demanda.
- Privacidade é um desafio, e o projeto usa técnicas de prova de conhecimento zero (ZKP) para manter dados de operações restritos a partes envolvidas e aos bancos centrais.
- O Banco Central do Brasil acompanha o projeto, que deve avançar nos testes no segundo semestre, mas ainda não há previsão de produção; códigos e modelos devem ficar em formato aberto.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) testa, com apoio regional, uma infraestrutura de liquidação de valores em moedas digitais emitidas por bancos centrais. O projeto CBWeb3 visa pagamentos transfronteiriços e operações de câmbio entre países da América Latina e Caribe, sem depender exclusivamente do dólar ou de bancos correspondentes.
A iniciativa envolve bancos centrais da região, inclusive o do Brasil. O objetivo é manter a autoridade monetária de cada país, sem criar uma moeda única regional. Em vez disso, utiliza moedas tokenizadas de cada autoridade para facilitar pagamentos entre fronteiras.
O piloto ocorre em um momento de reavaliação das moedas digitais pelos BCs. No Brasil, o Drex perdeu parte da tração inicial devido a questões de privacidade. O CBWeb3 tem foco restrito: pagamentos entre países, câmbio tokenizado e liquidação em ambiente de testes.
Adoção e funcionamento
A proposta descreve uma infraestrutura onde cada banco central pode emitir sua moeda tokenizada. Em termos práticos, um importador brasileiro pagaria a uma empresa colombiana em reais tokenizados, e o exportador receberia pesos tokenizados, com conversão dentro da infraestrutura.
O projeto foi desenhado como um bem público digital, com códigos abertos e modelos disponíveis para uso público. A moeda utilizada no piloto é chamada de TCBM, sigla para dinheiro tokenizado por banco central, segundo Marcos Sarres, CEO da GoLedger.
Modelos em teste e privacidade
O BID Lab idealizou a iniciativa, com apoio da LNET e colaboração de Águila Hub e GoLedger. Dois modelos estão em teste: um que replica a lógica de bancos correspondentes; outro, mais inovador, usa pools de liquidez para converter moedas via algoritmos conforme oferta e demanda.
A privacidade é ponto central. Técnicas de prova de conhecimento zero (ZKP) são usadas para limitar o acesso às informações apenas às partes envolvidas. Segundo Sarres, isso evita que terceiros vejam liquidez, valores ou relações entre instituições.
Participação e próximos passos
Jeronymo afirma que o piloto aproveita aprendizados do Drex, sem substituí-lo, funcionando como complemento. O CBWeb3 permitirá que o Brasil teste ferramentas de privacidade não exploradas no Drex. O projeto também pretende abrir o código para que outros países possam testar a infraestrutura.
A expectativa é que os testes com bancos centrais avancem no segundo semestre, sem previsão de entrada em produção. Cada autoridade avaliará, conforme maturidade tecnológica e regulatória, se adotará a infraestrutura em novos casos de uso.
O Banco Central informou ao Valor que acompanha o piloto com interesse, conduzido pelo BID para desenvolver infraestruturas digitais de negociação e liquidação em moedas de bancos centrais. O BC reiterou que não participa ativamente, mas acompanha a evolução para eventuais aprendizados.
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