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Corrida por biocombustíveis ante alta do petróleo pode levar a crise alimentar

Aumento do uso de biocombustíveis pode elevar inflação de alimentos e aproximar o mundo de crise global, alertam especialistas

A sunflower plantation for vegetable oil production in Mato Grosso state, Brazil.
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  • A demanda por biocombustíveis pode subir quase um terço neste ano, o que poderia pressionar ainda mais os preços dos alimentos.
  • O preço do petróleo ficou próximo de US$ 100 por barril, após conflitos no interesse estratégico e fechamento de vias marítimas.
  • Países como Estados Unidos, Indonésia, Brasil e Tailândia buscam aumentar o uso de biocombustíveis, com estimativa de alta de até setenta por cento até 2030 se o fornecimento de petróleo permanecer restrito.
  • Especialistas alertam que ampliar o uso de biocombustíveis pode exigir mais fertilizante e competição por áreas de cultivo com alimentos, potencialmente elevando preços de itens básicos.
  • Para alcançar vinte por cento do combustível rodoviário global vindo de biocombustíveis, seria necessária uma área do tamanho da África do Sul, segundo avaliações.

A demanda por biocombustíveis pode crescer quase um terço neste ano, ampliando a inflação de preços dos alimentos e aproximando o mundo de uma crise global. Países como EUA, Indonésia, Brasil e Tailândia aceleram o uso de biocombustíveis, misturados a combustíveis fósseis.

O aumento ocorre quando o preço do petróleo se aproxima de US$ 100 o barril, após ataques dos EUA e de Israel sobre o Irã e o fechamento do estreito de Hormuz. A expansão do uso de biocombustíveis é vista como resposta à crise energética.

Dados da Transport & Environment (T&E) apontam que o uso de biocombustíveis pode subir 70% até 2030, caso as fornecimentos de óleo permaneçam restritos. A estimativa envolve uma variedade de matérias orgânicas na produção.

Os fertilizantes sofrem restrições devido ao conflito, elevando o custo de alimentos básicos para parcelas pobres em várias regiões. Especialistas alertam que o mundo já caminha para uma crise alimentar.

Kädi Ristkok, diretora de energia e clima da T&E, ressalta que a promoção de alimentos para combustível agrava o risco. Segundo ela, governos devem buscar alternativas mais sustentáveis, como a eletrificação.

Os biocombustíveis competem com culturas alimentares por terra e fertilizantes. Em alguns países, até 10% do fertilizante é usado para biocombustíveis, e em outros chega a 20%. O efeito é maior nos ciclos agrícolas.

Em termos de participação, os biocombustíveis respondem por cerca de 4% da demanda mundial por energia de transporte. Se expandirem sem competir com comida, a participação pode chegar a 6%, aponta a análise.

Especialistas lembram que a expansão do uso de biocombustíveis não é trivial para a segurança alimentar. A comparação com crises de 2007-08 indica que o combustível derivado de culturas agrícolas já influenciou significativamente os preços de milho e soja.

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