- O governo Lula classificou como protecionista e unilateral a ameaça dos EUA de aplicar tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, anunciada no início de quarta-feira, após investigação sobre uso de trabalho forçado em 59 países e na União Europeia.
- O Brasil informou que pode invocar a Lei da Reciprocidade, já aprovada pelo Congresso, e afirmou confiar que a medida não seja implementada.
- Foi a segunda ameaça de tarifa na mesma semana; os EUA já haviam proposto tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob alegação de práticas comerciais desleais.
- O governo brasileiro contestou a ligação entre competitividade do país e violações trabalhistas, destacando que a Organização Internacional do Trabalho reconhece o Brasil como referência no combate ao trabalho forçado.
- A pauta ganhou dimensão interna: as novas ameaças ocorreram dias após o senador Flávio Bolsonaro se encontrar com o ex-presidente Donald Trump; o governo atribui a provocação à família Bolsonaro e vê ingerência nos assuntos internos.
O governo dos EUA anunciou, na manhã de quarta-feira, a intenção de aplicar uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, após uma investigação sobre o uso de trabalho forçado por 59 países e pela União Europeia. A leitura do governo brasileiro foi de que a medida é protecionista e unilateral, e de que pode recorrer à Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso.
Foi o segundo sinal de tarifas na mesma semana. Anteriormente, os EUA já haviam sugerido uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, sob alegação de práticas comerciais injustas. A decisão final cabe ao presidente dos EUA, hoje Donald Trump.
O Palácio do Planalto rejeitou a ideia de que a competitividade do Brasil dependa de violações trabalhistas. A pasta afirmou que a Organização Internacional do Trabalho reconheceu, há décadas, o Brasil como referência no combate ao trabalho análogo à escravidão.
Contexto político e desdobramentos
Na esfera interna, a iniciativa ocorre dias após o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — candidato à presidência — e Trump em Washington. O governo considera a investigação uma provocação da família Bolsonaro para interferir no país.
A última pesquisa Datafolha aponta o ex-presidente Lula com 47% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 43% de Flávio Bolsonaro, dentro da margem de erro.
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