- Em 2025, o fluxo de investimentos dos EUA em empresas brasileiras caiu 29%, totalizando US$ 8,4 bilhões, e a participação americanas passou de 29% em 2024 para 19% em 2025.
- A queda ocorreu inteiramente no setor de serviços, que recuou 51,2% e chegou a US$ 5 bilhões, o menor nível desde 2020.
- Houve altas nos segmentos de agropecuária e indústria extrativa e na indústria, com investimentos de US$ 1,9 bilhão (alta de 130,3%) e US$ 1,2 bilhão (alta de 152,3%), respectivamente, impulsionados pela mineração metálica e pela química/farmacêutica.
- As tarifas de 50% impostas por Donald Trump entraram em vigor em agosto de 2025, foram derrubadas pela Suprema Corte em fevereiro deste ano, e novas investigações sugerem sobretaxas adicionais.
- Exportações brasileiras para os EUA caíram 16,6% no segundo semestre de 2025; entre janeiro e maio de 2026, a queda acumulada foi de 16%, com avaliações indicando que tensões comerciais influenciam os investimentos.
Os investimentos dos EUA em empresas brasileiras caíram 29% em 2025, puxados pelo setor de serviços. O giro ocorreu após as tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump entrarem em vigor. Dados do Banco Central apontam queda relevante no fluxo de capital americano.
O ano foi marcado pela desaceleração na participação americana no conjunto de aportes no Brasil. O montante destinado por americanos somou US$ 8,4 bilhões em 2025, ante US$ 11,9 bilhões em 2024. A participação passou de 29% para 19%, menor desde 2018.
Foco no setor de serviços
A retração ocorreu inteiramente no segmento de serviços, que envolve comércio, serviços financeiros e TI. Os investimentos americanos neste setor somaram US$ 5 bilhões em 2025, equivalente ao menor patamar desde 2020, com queda de 51,2% ante 2024.
Entretanto, agropecuária e indústria apresentaram altas expressivas. A extração de minerais metálicos registrou alta de 130,3% (US$ 1,9 bilhão) e a indústria química e farmacêutica avançou 152,3% (US$ 1,2 bilhão).
Contexto e motivações
Especialistas apontam que as tensões comerciais provocadas pelo tarifaço e a política America First contribuíram para a retração. A rápida reação do setor de serviços ante mudanças externas é apontada como fator. As políticas de Trump são citadas como impacto relevante nos fluxos diretos de investimento.
A queda de investimentos em serviços financeiros e comércio foi particularmente intensa, com quedas próximas de 72% e 48% respectivamente. O efeito combinado de tarifas e incerteza econômica reduz a atratividade para capitais estrangeiros.
Exportações e panorama recente
A decisão de aplicar tarifas de 50% foi anunciada em julho de 2025 e vigorou a partir de agosto. Embora a Suprema Corte tenha derrubado as tarifas em fevereiro, investigações recentes sugeriram novas sobretaxas, aumentando a incerteza para o comércio Brasil-EUA.
Dados do MDIC indicam queda de 16,6% nas exportações brasileiras aos EUA no segundo semestre de 2024 em relação ao mesmo período de 2023. De janeiro a maio de 2025, a queda acumulada chegou a 16%.
Visão de especialistas e cenário futuro
Economistas ressaltam que relações comerciais e investimentos caminham juntos, de modo que restrições ao comércio elevam a incerteza e reduzem investimentos. O efeito pode se manter conforme novas medidas sejam avaliadas.
Analistas destacam que investimentos em projetos greenfield ganham espaço no Brasil desde o ano passado. Os próximos números devem esclarecer o impacto da política de Trump nos fluxos de investimento direto.
Entre na conversa da comunidade