- O crédito de carbono corresponde a uma tonelada de CO₂ evitada ou removida da atmosfera.
- No Brasil, existem três mercados de carbono: regulado (em funcionamento a partir de 2030), voluntário (em fase avançada) e programas jurisdicionais (em formação).
- O mercado regulado ficará sob a Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono, vinculada ao Ministério da Fazenda.
- O preço do carbono no Brasil é de cerca de US$ 8,40 por tonelada, bem abaixo da faixa mundial de US$ 70 a US$ 100.
- O governo projeta crescimento do PIB de 2,24% até 2030 com a precificação do carbono, gerando 1,5 milhão de empregos e aumento de renda para os 20% mais pobres.
O mercado de crédito de carbono ganhou impulso a partir do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, e ganhou nova relevância com o Acordo de Paris em 2015. O objetivo é reduzir emissões de gases de efeito estufa, permitindo que projetos gerem créditos equivalentes a uma tonelada de CO2 evitada ou removida da atmosfera.
Segundo a especialista Ana Luci Grizzi, há três caminhos no Brasil: o mercado regulado, sob a Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono, ligado ao Ministério da Fazenda; o mercado voluntário, com projetos florestais ou agrícolas; e os programas jurisdicionais, vinculados a certificações estaduais.
O mercado regulado deve funcionar plenamente apenas em 2030, com foco em setores industriais. O voluntário já opera em fases mais avançadas, enquanto os programas jurisdicionais ainda estão em construção e não comercializam créditos diferentes, pois envolvem políticas públicas.
Como funciona na prática? Um projeto de reflorestamento pode capturar, por exemplo, 5 mil toneladas de CO2, que virariam 5 mil créditos negociáveis. A dinâmica depende da oferta e da demanda entre empresas que precisam cumprir metas climáticas.
Grizzi aponta que o Brasil está em fase de consolidação do mercado, com potencial de atrair capital e gerar empregos. Ela ressalta que, diferentemente de modelos europeus, o país tende a manter foco em impactos ambientais positivos de natureza prática.
O Ministério da Fazenda estima que a precificação do carbono pode reduzir emissões no Brasil ao menor custo, por concentrar reduções onde há menor impacto financeiro. O preço doméstico fica em torno de US$ 8,40 por tonelada, bem abaixo da faixa global de US$ 70–100.
A projeção governamental aponta crescimento do PIB de 2,24% até 2030, atrelado à precificação do carbono. Estima-se a geração de 1,5 milhão de empregos e ganho de renda para a parcela mais pobre da população.
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