- Em 2026 o Brasil vai eleger presidente, governadores, senadores e deputados, mas milhões podem optar por não votar, mesmo com o voto sendo obrigatório.
- Dados de eleições municipais mostram abstenção acima de 30% em várias capitais, como Porto Alegre (34,8%), Belo Horizonte (31,9%) e São Paulo (31,5%).
- A explicação envolve custos de votar e benefícios percebidos como baixos, levando a abstenção a emergir como comportamento racional.
- Conceitos da Public Choice destacam o enorme custo informacional diante de muitos candidatos, partidos e disputas simultâneas, além de excesso de informações e fake news.
- Outras teorias citadas justificam o desencanto: sistema partidário fragmentado, voto mediano, voto expressivo, comportamento de free rider, e percepção de baixa eficácia pública e corrupção elevando o custo moral do voto.
Em 2026, o Brasil terá eleições para presidente, governadores, senadores e deputados. Mesmo com o voto obrigatório, milhares de eleitores podem optar por não votar. A abstenção passou a ser um fenômeno recorrente em capitais, com índices acima de 30% em várias cidades. Em Porto Alegre, chegou a 34,8%; Belo Horizonte, 31,9%; e São Paulo, 31,5%.
A explicação envolve aspectos econômicos e comportamentais. A Public Choice aponta que votar tem custos de tempo, deslocamento e esforço, enquanto os benefícios percebidos são muitas vezes limitados. Se o voto não muda o resultado, a abstenção pode soar como escolha racional.
Durante as eleições de 2026, o custo informacional é ainda maior. O eleitor precisará avaliar dezenas de candidatos e múltiplos distritos, em meio a excesso de informação, redes sociais e desinformação. A ideia de ignorância racional descreve esse desafio de separar informação de propaganda.
Abstenção, custos e percepção de impacto
O panorama seguiu para discutir o sistema partidário fragmentado e alianças sem identidade clara. Mesmo reformas recentes não tornam o eleitor menos inseguro diante de mudanças de posição dos candidatos, o que eleva a percepção de imprevisibilidade.
A teoria do eleitor mediano sugere que, em disputas acirradas, candidatos se moderam para conquistar o centro. Mesmo assim, muitos eleitores percebem pouca diferença prática entre as ações dos governos, o que reduz o incentivo à participação.
Outros fatores incluem o comportamento de free rider, em que pessoas esperam que outros decidam. Já a teoria do voto expressivo afirma que parte do eleitorado vota para sinalizar valores e identidade, especialmente quando não se sente representado.
Implicações para a participação cívica
A percepção de que corrupção, baixa transparência e pouca accountability elevam o custo moral do voto. Mesmo assim, a abstenção não é vista como desejável de forma ampla. Democracias precisam de participação e confiança institucional, mas, sob certos contextos, votar pode parecer menos relevante.
As eleições de 2026 podem revelar um desafio institucional maior que a polarização: milhões de eleitores podem acreditar que sua participação não altera o rumo das políticas públicas. Candidatos, instituições de pesquisa e partidos devem considerar esse fenômeno em seus cálculos.
Giacomo Balbinotto Neto, professor de Economia na UFRGS, figura entre os pesquisadores citados para embasar a análise sobre os incentivos à participação eleitoral.
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