- O Goldman Sachs mudou de posição: passa a preferir ações dos hiperescaladores em vez de apostar apenas em semicondutores.
- A justificativa é que o investimento em IA já precificou as picaretas e pás, e o risco-retorno dos chips tende a se deteriorar se o capex dos grandes players desacelerar.
- A Nvidia elevou-se a uma das empresas mais valiosas do mundo, com valor superior a US$ 5 trilhões, alimentando o debate sobre quem lucra com IA.
- O Goldman estima que empresas como Nvidia e Micron respondem por cerca de um terço do crescimento do lucro por ação do S&P 500 em 2026.
- A instituição aponta que o investimento total em IA pode chegar a entre US$ 7 trilhões e US$ 8 trilhões, mas ainda não está claro quando toda a cadeia de lucro começará a refletir esse valor.
Em 1849, a riqueza da corrida do ouro na Califórnia não ficou com os que cavavam, e sim com os vendedores de ferramentas. Picaretas e pás prosperaram independentemente do desfecho da procura pelo metal precioso.
Há dois anos, o Goldman Sachs aplicou essa lógica à inteligência artificial. A casa recomendou investir em semicondutores em vez de apostar num único laboratório de IA. O raciocínio: toda nova onda de IA precisa de infraestrutura comum.
Segundo Jim Covello, chefe de pesquisa global de renda variável do Goldman Sachs, os modelos competem num campo incerto, mas a cadeia de fornecimento de chips é essencial para todos os vencedores.
Essa aposta previa progresso contínuo da indústria. Hoje, a Nvidia já figura entre as empresas mais valiosas do mundo, com avaliação superior a US$ 5 trilhões, impulsionada pela demanda por hardware de IA.
De acordo com o Goldman, Nvidia e Micron devem responder por cerca de um terço do crescimento do lucro por ação do S&P 500 em 2026, revelando o peso da infraestrutura na valorização do setor.
Mudança de perspectiva do Goldman
O Goldman Sachs revisou seu apetite: passou a favorecer ações dos hiperescaladores em vez de apostar apenas em semicondutores. A justificativa é que a entrega de lucros na ponta da cadeia depende de toda a infraestrutura, não de um único elo.
O banco argumenta que o capex dos grandes provedores de serviços digitais continua elevado, o que sustenta a demanda por chips e pela tecnologia associada, mesmo com pressões de preço.
O cenário é debatido por analistas de mercado. A SemiAnalysis aponta que, uma vez integrada a IA corporativa, a demanda por tokens, modelos e hardware tende a subir em conjunto, elevando o retorno para toda a cadeia.
Perspectivas em aberto
Existe dúvida sobre o ritmo dessa transferência de valor. Covello afirma que o dinheiro está indo para a implementação de IA nas empresas, e não apenas para a pesquisa. Se esse ganho for efetivo, a tecnologia pode cumprir o esperado.
Entretanto, há sinais de incerteza. O espaço de IA ainda aguarda demonstração de rentabilidade estável para além dos grandes players. A discussão entre visões de curto e longo prazo continua aberta entre especialistas.
A discussão histórica remete à corrida do ouro: houve tempo em que quem vendia ferramentas permaneceu lucrativo até o fim. A dúvida atual é se a IA seguirá o mesmo padrão ou apresentará novos desfechos para a cadeia de suprimentos.
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