- Afastamentos por transtornos mentais chegam a quase R$ 1 bilhão para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
- São mais de meio milhão de licenças anuais, com duração média de duzentos dias.
- Aumento é explicado pela combinação de impacto da pandemia, mudanças no reconhecimento dos casos e ambiente de trabalho.
- Riscos psicossociais, como carga excessiva de trabalho, metas agressivas, hiperconectividade e assédio, aparecem como fatores recorrentes.
- O conjunto indica possível crise estrutural no mercado de trabalho, impactando financeiro e administrativo do sistema de Previdência, com maior demanda por perícias, reavaliações e reabilitação profissional.
Os afastamentos por transtornos mentais já atingem quase 1 bilhão de reais de custos para o INSS. Anualmente, o regime de aposentadoria por incapacidade registra mais de 546 mil licenças com duração média de cerca de 200 dias.
O impacto não é exclusivo da Previdência. Empresas e a estrutura do trabalho também sofrem, com efeitos indiretos sobre produtividade, custos com reabilitação e recrutamento.
Especialistas apontam uma combinação de fatores: a pandemia elevou quadros de ansiedade, depressão e exaustão; houve mudança no reconhecimento médico e legal desses casos; e surgem riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como metas agressivas e hiperconectividade.
Panorama
A avaliação é de que o volume de afastamentos reflete uma crise estrutural no mercado de trabalho. Há mais de meio milhão de benefícios anuais, com tendência de crescimento e impacto transversal a setores variados.
Outro ponto é a regulação recente, que formalizou riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais na NR-1. A saúde mental passa a fazer parte das políticas de prevenção no ambiente de trabalho.
Impacto no INSS e no sistema previdenciário
O efeito financeiro compromete o fluxo orçamentário da Previdência e eleva a despesa com benefícios por incapacidade temporária. O aumento de demanda por perícias e reavaliações também entra nesse quadro.
Concomitantemente, há pressão administrativa, com maior acompanhamento de reabilitação profissional. A redistribuição de custos do adoecimento é discutida entre empresas, trabalhadores e o Estado.
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