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Ásia e EUA podem compensar perda de 1,8 bi com veto da UE à carne brasileira

Redirecionar cargas para Ásia, EUA e outros mercados pode mitigar a perda de US$ 1,8 bi com veto da UE, mas aumenta custos logísticos e expõe fragilidades da produção brasileira

Brasil foi excluído da listagem de exportadores que cumprem as regras da UE
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  • A suspensão das vendas de produtos de origem animal brasileiros para a União Europeia foi confirmada para setembro, com estimativa de perda de US$ 1,8 bilhão.
  • O redirecionamento das cargas para Ásia, Estados Unidos, África e Oriente Médio pode compensar parte dessas perdas, mas tende a elevar custos logísticos e operacionais.
  • Economistas avaliam que a rápida diversificação de mercados pode evitar queda abrupta de prazos de exportação e manter, no entanto, uma acomodação modesta dos preços no mercado interno.
  • Desafios incluem fragilidade na estrutura exportadora brasileira e necessidade de ajustar rotas, além de lidar com capacidade ociosa de frigoríficos e questões de energia.
  • O embargo pode influenciar o andamento do acordo Mercosul–UE e sustenta debates na OMC sobre possível barreira comercial.

A suspensão das vendas de produtos de origem animal brasileiros para a União Europeia, confirmada para setembro, pode levar o Brasil a redirecionar cargas para a Ásia, Estados Unidos, África e Oriente Médio. A estratégia busca compensar a perda estimada de US$ 1,8 bilhão com o embargo.

Especialistas indicam que o deslocamento das exportações para novos mercados pode reduzir o impacto sobre o agronegócio brasileiro, ainda que aumentem custos logísticos e operacionais para as exportadoras. A viabilidade depende da agilidade em encontrar compradores alternativos.

Para o economista Hugo Garbe, a rapidez no ajuste de rotas influencia não apenas o fluxo de exportações, mas também os preços no mercado interno. O Brasil tem histórico de redirecionar cargas a países asiáticos, africanos e do Oriente Médio, segundo o especialista.

João Marcelo Abbud aponta fragilidades na estrutura produtiva diante de questões como o veto da UE. Ele afirma que grande parte das exportações depende de poucos compradores e produtos, o que aumenta a vulnerabilidade a choques comerciais.

O redirecionamento envolve elevar custos logísticos, adaptar rotas e lidar com capacidade ociosa de frigoríficos. Também é preciso lidar com questões de energia, que dificultam o ajuste em curto prazo, segundo os economistas.

No mercado interno, a maior oferta gerada pelo redirecionamento pode reduzir pressão ascendente sobre os preços, embora a acomodação seja gradual e varie por corte. Economistas ressaltam que mudanças estruturais podem afetar a precificação.

A adequação aos parâmetros globais de qualidade pode ser positiva ao harmonizar padrões, mas pode elevar o custo final ao consumidor. Abbud alerta que o ajuste de certificação pode exigir investimentos e gerar custo adicional para fornecedores.

Do lado geopolítico, a proibição, fundamentada no princípio da precaução, reflete pressões de produtores europeus e pode influenciar o timing de medidas. A analista Thainá Pierucetti ressalta que o embargo pode provocar questionamentos na OMC sobre barreira comercial.

Pierucetti também afirma que o embargo pode atrasar ou dificultar a conclusão do acordo Mercosul–UE, já enfrentando resistência em parlamentos europeus. Ela destaca que medidas protecionistas podem ser usadas para justificar a não aprovação do tratado.

Fontes consultadas para a reportagem incluem economistas especializados em agronegócio e direito internacional, além de análises sobre políticas comerciais. As informações são apresentadas de forma neutra, sem opiniões, com foco em fatos verificáveis.

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