- O token passa a ser a nova unidade de medida da IA, com uso crescente nas decisões e na geração de ideias; a taxação de IA avança rápido, conforme a adoção global (McKinsey aponta 88% das empresas usam IA em 2025).
- Os principais gargalos são energia e poder computacional: consumo de eletricidade de data centers atingiu 415 TWh em 2024, com projeção de 945 TWh para 2030; nos EUA, a capacidade de data centers pode chegar a 123 gigawatts até 2035.
- Minerais críticos, especialmente terras raras, são determinantes: China controla grande parte da mineração e refino; em 2025 houve cortes de exportação chineses; EUA formaram coalizão para proteger cadeias de suprimento; o Brasil detém a segunda maior reserva mundial de minerais de terras raras (≈ 21 milhões de toneladas) e fornece cerca de 90% da demanda global de nióbio.
- O Brasil soma vantagem adicional com energia limpa: quase 90% da matriz elétrica vem de fontes renováveis, frente a média global de cerca de 32%, o que pode sustentar o crescimento da IA e dos data centers.
- Grandes investimentos já chegam ao Brasil: Microsoft planeja US$ 2,7 bilhões em expansão de data centers e Amazon Web Services (AWS) estima US$ 1,8 bilhão; o país aparece como destino estratégico para capital de longo prazo na era do token.
A coluna analisa a transição para a era do token, a nova unidade de valor na IA, destacando que a tecnologia vem redefinindo produção, empregos e geopolítica. A ideia central é que o token substitui velhas referencias como petróleo na definição de competitividade.
Dados recentes mostram que a adoção de IA nas empresas é crescente e rápida, avançando de 20% em 2017 para 88% em 2025, segundo a McKinsey. A capacidade de programar por linguagem simples facilita projetos sem formação técnica aprofundada.
A transformação também envolve a evolução de fluxos de trabalho: a IA deixa de ser apenas executora para gerar ideias. Em muitos setores, a presença de IA já estrutura decisões e estratégias operacionais.
Geopolítica, energia e minerais
O consumo de energia para IA ficou no centro do debate. A indústria demanda grande quantidade de eletricidade e de capacidade de computação, com projeções que indicam crescimento expressivo até 2030. O gargalo deixou de ser apenas código.
Para produzir semicondutores, o setor depende de minerais críticos. A China domina boa parte da mineração e do refino, o que elevou preocupações sobre cadeias de suprimento, especialmente após controles de exportação em 2025. Estados Unidos buscaram coalizões para ampliar acesso a recursos.
Brasil, vantagem competitiva
O Brasil surge com posição estratégica: detém uma reserva relevante de minerais de terras raras e grande parte da energia renovável da América, com quase 90% da matriz elétrica sendo limpa. Essas características podem sustentar ativos industriais ligados à IA.
Investidores já olham para o Brasil como destino de investimentos em data centers e infraestrutura. Grandes players anunciaram planos de expansão no país, com cifras expressivas em 2025 e expectativas para 2026, fortalecendo geração de empregos e receitas.
Caminho a seguir
A economia brasileira pode se destacar ao combinar reservas de minerais estratégicos, energia limpa abundante e infraestrutura estável. A chave é manter fundamentos econômicos sólidos, segurança jurídica e planejamento energético que convertam recursos em vantagem competitiva sustentável.
A era do token impõe visão de longo prazo: entender o papel do Brasil no novo mapa de suprimentos, industrialização de IA e geração de riqueza a partir de energia e minerais. O caminho, porém, depende de decisões públicas e privadas alinhadas com esse novo cenário global.
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