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Brasileiros com vida mais longa enfrentam mudança de carreira após os 50

Com maior longevidade, mais pessoas acima de 50 trocam de carreira; metade permanece no mercado por necessidade

A professora universitária Giuseppina Adele Rischioni, 72, mudou de carreira na maturidade, após se aposentar na área de recursos humanos da indústria; além das aulas, ela integra trupe de palhaços que visitam hospitais
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  • Em 2024, 24,4% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, o maior nível da série histórica do IBGE.
  • A população de 60 anos ou mais chegou a 34,1 milhões, alta de 53,3% desde 2012.
  • Metade dos que permanecem no mercado de trabalho após a aposentadoria o fazem por necessidade financeira.
  • Muitos profissionais maduros buscam mudanças de carreira, enfrentando etarismo e barreiras de recolocação, mesmo com qualificação.
  • De 2024 para 2025, houve crescimento formal acima de cinquenta anos: 7,6% (50–59), 12,2% (60–64) e 16,1% (65+).

A população brasileira está vivendo mais e permanece mais tempo no mercado de trabalho. Em 2024, o Brasil registrou a maior taxa de ocupação de pessoas com 60 anos ou mais desde o início da série histórica do IBGE: 24,4%. Hoje, uma em cada quatro pessoas nessa faixa etária trabalha.

O total de brasileiros com 60 anos ou mais chegou a 34,1 milhões, alta de 53,3% desde 2012. A longevidade chegou a 76,6 anos na média. Ainda assim, metade dos que continuam trabalhando citam a necessidade financeira como principal motivação.

Mudanças de carreira na maturidade já acontecem. Há casos de profissionais que migraram de áreas estáveis para novas ocupações formais, seja por desejo ou por necessidade de adaptação. A transformação é impulsionada pela maior expectativa de vida e por cenários econômicos.

Contexto demográfico

Dados do Ministério do Trabalho mostram avanço na contratação formal para quem tem 50 anos ou mais entre 2024 e 2025. Faixas de 50 a 59 anos cresceram 7,6%, 60 a 64 anos registraram alta de 12,2% e 65 anos ou mais, 16,1%.

Pesquisas indicam que o etarismo ainda é um desafio. A gestão de carreira para a terceira idade envolve obstáculos de percepção, com muitos profissionais tendo que buscar novas funções, muitas vezes em áreas diferentes.

Caminhos na prática

Casos de quem já abriu uma segunda frente de atuação são cada vez mais comuns. Giuseppina Adele Rischioni, 72, ministra aulas universitárias e orienta trabalhos, além de atuar como palhaça voluntária em visitas a hospitais. Elaine Sicari, 52, mudou de área após 45 anos no setor financeiro e hoje atua como psicóloga atendendo pela internet.

Educação continuada também aparece como fator decisivo. Vacelon Soares de Alencar, 53, após 26 anos de artes plásticas, passou a traçar plano para atuar como psicanalista após a aposentadoria. A profissional aposta na combinação de formação, experiência e disposição para aprender.

Especialistas destacam que o mercado tem acolhido crescientemente trabalhadores acima de 50 anos, especialmente quando procuram novas áreas que conciliem experiência com demanda atual. Ainda assim, parte das vagas disponíveis tende a manter salários mais baixos.

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