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O que aconteceu com a Cintra, 4ª maior marca de cerveja do Brasil

Cintra, cerveja de preço baixo criada por Sousa Cintra, chegou a ser a quarta maior do Brasil, vendida à Ambev; o Cade determinou a transferência dos ativos à Schincariol

Cintra: empresa chegou a produzir 420 milhões de litros de cerveja (Reprodução)
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  • A Cintra foi criada pelo empresário português José de Sousa Cintra, ex-presidente do Sporting, que comprou fábricas da Kaiser em Mogi Mirim e em Piraí, em 1997, com capacidade para 420 milhões de litros de cerveja e 280 milhões de litros de refrigerante por ano.
  • Em dois anos tornou-se a quarta maior produtora de cerveja do Brasil, disputando preço baixo e chegando a cerca de 5% do mercado no Rio de Janeiro.
  • A meta de crescer nacionalmente ficou aquém da prática: em 2007 Sousa Cintra vendeu as fábricas para a Ambev por US$ 150 milhões; por determinação do Cade, a marca e a rede de distribuição não foram transferidas, sendo os ativos vendidos à Schincariol (R$ 39 milhões) em 2008.
  • A Cintra passou por nova chain de aquisições: Schincariol foi comprada pela Kirin em 2011, virando Brasil Kirin, que por sua vez foi adquirida pela Heineken em 2017 por R$ 2,2 bilhões; a marca acabou saindo do portfólio atual da empresa.
  • Em 2018, o empresário Sousa Cintra voltou ao Sporting, e no Brasil ficou a lembrança de uma cerveja popular por ter sido opção econômica por um tempo.

A Cintra foi uma cerveja de preço baixo que marcou o Rio de Janeiro nos anos 2000, disputando espaço com Brahma, Antarctica e Skol. A marca acabou saindo do site da Heineken, atual detentora do portfólio, mas deixou uma trajetória relevante no mercado brasileiro.

A empresa nasceu da operação de José de Sousa Cintra, empresário português que já havia presidido o Sporting Clube de Portugal no fim dos anos 80. O grupo Cintra atuava em petróleo, imóveis e água mineral antes de entrar no segmento de bebidas.

A entrada no ramo cervejeiro ocorreu em 1997, com a aquisição de uma fábrica desativada da Kaiser em Mogi Mirim, interior de São Paulo. Em pouco tempo, veio a segunda planta em Piraí, RJ, formando unidades com capacidade para 420 milhões de litros de cerveja e 280 milhões de litros de refrigerante por ano.

Ascensão e estratégia de mercado

A Cintra emergiu como uma opção econômica, buscando espaço no varejo com preço mais baixo. No Rio de Janeiro, a marca chegou a deter cerca de 5% do mercado, expandindo rapidamente sua presença frente a grandes players.

Executivos da Cintra falavam em ambições altas, incluindo 10% do mercado nacional em cinco anos e a construção de novas plantas, inclusive no Mato Grosso do Sul. A estratégia combinava distribuição agressiva com foco em custo-benefício.

Venda, autorrestrições do Cade e desdobramentos

Em 2007, Sousa Cintra vendeu as fábricas à AmBev por 150 milhões de dólares. A compra tinha como objetivo ampliar a capacidade de produção da líder, não necessariamente incorporar a marca Cintra.

O Cade impôs restrições para evitar concentração de mercado: a Ambev não poderia ficar com a marca nem com a rede de distribuição. Em 2008, esses ativos foram vendidos à Schincariol por 39 milhões de reais.

A Cintra passou a compor o portfólio da Schincariol, que depois foi adquirida pela Kirin em 2011 e passou a se chamar Brasil Kirin. Em 2017, a Brasil Kirin foi comprada pela Heineken, por 2,2 bilhões de reais, levando a Cintra junto no histórico de mudanças de controle.

Situação atual

Nas listas recentes da Heineken Brasil, a Cintra deixou de figurar entre as marcas comercializadas e não aparece mais no site da empresa. O legado da marca, porém, permanece na memória de consumidores que a viam como opção econômica.

Sousa Cintra manteve atividades no futebol brasileiro, retornando ao Sporting como presidente interino em 2018, durante período de crise. No Brasil, a Cintra é lembrança de uma marca que chegou a ocupar espaço expressivo em um mercado concentrado.

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