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Aumento de padrões trabalhistas na indústria do vinho é essencial

Wine Society lança plano de cinco etapas para elevar padrões trabalhistas na cadeia do vinho, mirando varejistas e certificações

Orgaic Grape harvesting for wine making storytelling: Italian vendemmia in Tuscany
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  • A indústria do vinho precisa usar “carrot and stick” para elevar padrões laborais na viticultura e na cadeia de suprimentos, tema cada vez mais relevante.
  • Pesquisadora Ann Jones afirma que mostrar benefício comercial, retenção e eficiência ajuda varejistas a se alinharem com valores de sustentabilidade e fontes éticas.
  • Certificações devem incluir elementos sociais e trabalhistas para serem reconhecidas por grandes compradores, como o Systembolaget.
  • A Wine Society criou um plano em cinco etapas para identificar e enfrentar riscos de exploração trabalhista na cadeia de suprimentos, começando por comprometer a gestão responsável.
  • O plano já está disponível gratuitamente em francês, espanhol, italiano e português, com metas de treinar cerca de 160 fornecedores este ano e expandir para aproximadamente 800 no próximo.

O setor de vinicultura precisa usar incentivos e regras para elevar padrões trabalhistas na viticultura e na cadeia de suprimentos. O tema, considerado “pouco atraente”, ganha importância conforme a pressão por responsabilidade social aumenta.

Poeta de sustentabilidade Ann Jones, em um painel da London Wine Fair, enfatizou que convencer varejistas depende de mostrar que a melhoria gera valor comercial: continuidade, retenção de mão de obra, eficiência e potencial de premiumização. A chave é integrar a qualidade com as práticas trabalhistas.

Segundo Jones, alinhar varejo e marca aos valores dos consumidores passa pela transparência em sustentabilidade e fontes éticas. Ela afirma que o público pode não exigir evidências inicialmente, mas tende a preferir empresas que reflitam seus princípios.

Outra questão central é que certificações devem incluir elementos sociais e trabalhistas. Em certificações passadas, o setor não priorizava esse aspecto, mas a demanda de órgãos reguladores, como a monopolista Systembolaget, tornou essencial incorporar questões sociais.

O plano em cinco etapas da Wine Society

A Wine Society lançou um guia prático para que empresas do vinho enfrentem problemas trabalhistas em toda a cadeia. Dom de Ville, diretor de sustentabilidade, aponta a falta de ferramentas específicas para o segmento, dificultando produtores de pequeno a médio porte.

O desafio é típico de um produtor de Beaune que contrata dezenas de trabalhadores sazonais e compra uvas de outros fornecedores que também utilizam mão de obra temporária. Não existe um passo a passo claro para orientar esse processo.

O plano em cinco etapas propõe início com compromisso contra exploração e designação de responsável. Em seguida, identifica riscos aos trabalhadores tanto na empresa quanto na cadeia de suprimentos, incluindo condições extremas de temperatura, recrutamento por meio de terceiros e condições de hospedagem.

A terceira fase envolve a criação de um plano com metas e prazos. Na quarta, fornecedores compartilham documentação de seus próprios processos para traçar um panorama da cadeia. Por fim, o acompanhamento de melhoria contínua avalia avanços, obstáculos e ajustes necessários.

Dom descreveu a abordagem como due diligence em direitos humanos, sem novidades conceituais, mas com potencial de mapear riscos trabalhistas relevantes para trabalhadores sazonais.

Disponibilidade e uso público

O plano da Wine Society está disponível gratuitamente em vários idiomas, incluindo francês, espanhol, italiano e português, com o objetivo de facilitar a compreensão de compromissos públicos, avaliações de risco e perguntas relevantes a fornecedores.

Há um modelo de plano de ação adaptável a diferentes negócios, útil para compartilhar com parceiros e clientes. O lançamento ocorreu em fevereiro, com 15 a 20 fornecedores já treinados até maio, avançando para a quarta etapa.

A meta de curto prazo é que todos os 160 fornecedores com rótulos próprios completem as quatro etapas até o fim do ano, aumentando progressivamente para cerca de 800 fornecedores no próximo ano.

Jones sugere comparar certificações para entender semelhanças e diferenças, o que facilitaria a atuação de retailers. A Wine Society pretende influenciar varejistas no Reino Unido a adotar esse caminho, expandindo a responsabilidade ao longo da cadeia de suprimentos e além das fronteiras da indústria.

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