- A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal, deixando o Brasil como único membro do Mercosul com restrições.
- Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a vender carnes aos 27 países da UE.
- A decisão não está vinculada ao acordo Mercosul-UE, segundo Bruxelas, e decorre de exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
- Em 2025, as exportações brasileiras de carnes para a UE somaram cerca de US$ 1,8 bilhão, destacando a importância do bloco para o setor.
- O regulamento entra em vigor em 3 de setembro de 2026; o Brasil afirma ter enviado a documentação solicitada, mas não houve envio de informações adicionais.
A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal, o que deixa o Brasil como o único integrante do Mercosul atingido pelas novas restrições sanitárias. A decisão foi publicada pela Comissão Europeia na sexta-feira, 5 de junho, e não está relacionada ao acordo comercial em vigor, segundo Bruxelas.
Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a vender carnes e outros produtos de origem animal aos 27 membros da UE. A medida vem antes da implementação efetiva do acordo entre Mercosul e UE, que já está em aplicação provisória em passos iniciais.
Caso entre em vigor, o impacto poderá ser expressivo para o agronegócio brasileiro. Em 2025, a UE importou aproximadamente US$ 1,8 bilhão em carnes do Brasil, tornando-se o segundo maior destino da pauta de carnes, atrás da China.
Contexto e justificativa
Segundo regulamento europeu, o Brasil não apresentou informações suficientes para demonstrar cumprimento integral das regras sobre uso de antimicrobianos na produção animal até setembro de 2026. A UE proíbe importações de animais expostos a esses antimicrobianos para promover crescimento.
A medida retira o Brasil da lista de fornecedores autorizados para bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas. Bruxelas sustenta que o uso inadequado dessas substâncias aumenta a resistência bacteriana, uma das principais ameaças à saúde pública.
Dados do mercado e reação
Em 2025, vendas de carne brasileira para a UE somaram cerca de US$ 1,8 bilhão. Bovina, frango e demais carnes representaram a maior parte do montante, com a bovina sozinha respondendo por mais de US$ 1 bilhão.
Autoridades do governo brasileiro afirmam que encaminharam, em outubro de 2025, toda a documentação solicitada pelas autoridades europeias para comprovar a adequação sanitária. Não houve, segundo elas, pedidos adicionais de complementação até o momento.
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