- Até dezembro devem ser inauguradas as duas primeiras rotas comerciais de eVTOL no mundo: uma entre Shenzhen e Hong Kong e outra em Dubai.
- A rota Shenzhen–Hong Kong percorre trinta quilômetros em vinte minutos; a de Dubai ainda não tem data de operação confirmada.
- No Brasil, iniciativa privada e poder público trabalham para que os primeiros passageiros voem em 2027.
- A Agência Nacional de Aviação Civil criou dois grupos de trabalho para acelerar a regulamentação; São Paulo já tem experiência com helicópteros para orientar as novas regras.
- A viabilidade depende do modelo de negócio: serviços de táxi aéreo devem sustentar o setor, com redução de tarifas prevista no primeiro ano e possível queda próxima de oito centenas de reais por passagem; a Revo fechou acordo com a Eve para compra de até cinquenta aparelhos por 250 milhões de dólares.
O mercado dos carros voadores deve ganhar as primeiras rotas comerciais até o fim deste ano, com operações de decolagem e pouso vertical (eVTOLs) já definidas. Duas rotas inaugurais estão previstas: Shenzhen a Hong Kong, operada pela empresa chinesa EHang, em 30 quilômetros percorridos em cerca de 20 minutos, e Dubai, sob a gestão da americana Joby. No Brasil, governos e iniciativa privada estão articulando para permitir os primeiros voos comerciais em 2027.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) constituiu dois grupos de trabalho com empresas, militares e universidades para acelerar a regulamentação do setor. A experiência de São Paulo com helicópteros, hoje a maior frota mundial em operação urbana, serve de referência para normas que devem orientar o uso dos eVTOLs.
No modelo de negócio, os voos não devem se tornar simples substitutos de transportes de uso cotidiano. O setor deverá, inicialmente, depender de serviços de táxi aéreo. A Pax, concessionária que opera aeroportos em São Paulo e no Rio, firmou parceria em janeiro com a italiana UrbanV para preparar vertiportos e infraestrutura de apoio aos eVTOLs.
Uma das frentes de infraestrutura envolve adaptar helipontos e prédios para receber os veículos. Em São Paulo, cerca de 200 helipontos existem, mas menos da metade pode receber eVTOLs sem reformas. Especialistas destacam que vertiportos devem virar negócio imobiliário com localização estratégica para facilitar o embarque.
A viabilidade econômica será decisiva. Estima-se que o custo de voar de helicóptero em São Paulo varie entre 1.200 e 2.700 reais por pessoa. No primeiro ano de operação, os eVTOLs devem reduzir esse valor em até 30%, com projeção de queda futura para cerca de 800 reais por trecho, conforme o mercado amadurece.
A Eve, subsidiária da Embraer voltada aos carros voadores, fechou acordo com a Revo para aquisição de até 50 aparelhos por 250 milhões de dólares. A Revo também lançou um plano de assinatura anual com 30 voos por 13.650 dólares, cerca de 455 dólares por viagem. Enquanto a entrega não ocorre, serviços com helicópteros devem continuar sendo usados.
O Brasil, segundo especialistas, pretende aproveitar a demanda por viagens rápidas a trabalho, preenchendo lacunas de mobilidade entre grandes centros. O impulso regulatório, aliado a parcerias com empresas de vertiportos, deve pavimentar a transição para uma rede de voos urbanos com eVTOLs até o fim da década.
Publicado em VEJA de 5 de junho de 2026, edição nº 2998. Fontes indicam alinhamento entre setor público, setor privado e fabricantes para que o país figure entre os protagonistas desse mercado bilionário mundial.
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