- O déficit atual de engenheiros no Brasil é de cerca de 75 mil, com projeção de chegar a um milhão na próxima década.
- Em 2025, o setor de infraestrutura recebeu R$ 280 bilhões, o maior volume da última década.
- Cerca de 90% das construtoras têm dificuldade para preencher vagas, o que já impacta obras estratégicas.
- A formação não acompanha a demanda: o país forma cerca de 50 mil engenheiros por ano; matrículas caíram cerca de 30% na última década, de 1,2 milhão em 2015 para 887 mil em 2024.
- O Sinicon criou cartilha e ações para ampliar formação, qualificação técnica e conectar ensino ao mercado, abrindo oportunidades para jovens na engenharia.
O Brasil vive um momento de retomada de investimentos em infraestrutura, com foco em rodovias, ferrovias, saneamento, mobilidade e energia. Em 2025, o setor recebeu cerca de R$ 280 bilhões, o maior volume da última década, segundo a Abdib. No entanto, a falta de mão de obra qualificada preocupa empresas e especialistas.
Atualmente, o déficit de engenheiros é estimado em 75 mil profissionais, segundo a CNI. Projeções do Confea indicam que esse déficit pode chegar a 1 milhão ao longo da próxima década, impactando obras, custos e produtividade.
Caminhos possíveis são discutidos pela indústria. Levantamento da CBIC mostra que cerca de 90% das construtoras têm dificuldade para preencher vagas. Em funções técnicas, a escassez já atrasa obras estratégicas.
Desafios estruturais
Parte do problema está na formação. O Brasil produz hoje cerca de 50 mil engenheiros por ano, volume considerado insuficiente para o mercado. Além disso, as matrículas em engenharia recuaram aproximadamente 30% nos últimos dez anos, de 1,2 milhão em 2015 para 887 mil em 2024.
O ensino básico também é atravessado por dificuldades. Dados do Pisa indicam que aproximadamente 70% dos estudantes de 15 anos têm dificuldades em matemática, o que reduz o interesse por áreas de exatas e eleva a evasão universitária.
Há ainda a percepção de que engenharia é uma carreira para gênios, ideia que afasta jovens. Na prática, a profissão exige estudo, dedicação e capacidade de resolução de problemas, com forte relação com inovação e tecnologia.
Em comparação internacional, a relação de engenheiros por 10 mil habitantes no Brasil fica entre 3 e 4, enquanto países como Alemanha, Japão e EUA conectam entre 14 profissionais, evidenciando o desafio e o potencial.
Medidas e oportunidades
O Sinicon atua para ampliar formação e qualificação, com cartilha de propostas que aproxima escola do mercado e aumenta o diálogo com jovens. O objetivo é ampliar a atratividade pela engenharia.
As perspectivas são de crescimento na demanda por engenheiros e técnicos nos próximos anos. Para os jovens, a profissão oferece alta empregabilidade, potencial de renda e impacto social.
Superar o desafio passa pelo fortalecimento do ensino básico, valorização de carreiras técnicas e integração entre educação e setor produtivo. O tema é visto como estratégico para o desenvolvimento do Brasil.
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