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Centros de dados avançam como fronteira de infraestrutura; mercado espera Redata

Infraestrutura digital de IA depende da aprovação do Redata; sem incentivos, Brasil perde competitividade e investimentos podem frear

Data centers são a nova fronteira de infra – mas mercado aguarda o Redata
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  • Data centers para IA aparecem como o principal motor de investimentos em infraestrutura no Brasil nos próximos anos, segundo empresas e bancos.
  • Pesquisa do Santander aponta que o setor pode liderar o próximo ciclo de investimentos, com vinte e três por cento dos executivos.
  • O Brasil tem potencial com energia renovável e pode atender parte da demanda, especialmente para treinamento de modelos de IA e dados de redes sociais, ainda que dependa de reduzir a latência.
  • O Redata, regime de tributação para data centers, é visto como essencial; o texto já passou pela Câmara e aguarda votação no Senado, e, sem incentivos, o custo nos EUA fica cerca de trinta e cinco por cento abaixo do brasileiro.
  • Com incentivos do Redata, a capacidade local poderia sair de setecentos e cinquenta megawatts para três mil megawatts até 2032, gerando por volta de R$ cento bilhões em capex anual; grandes players incluem Scala Data Centers, Ascenty, Digital Realty, Aligned, NextStream e Omnia.

O setor de data centers voltados a AI é visto, por bancos e empresas, como a principal frente de investimentos em infraestrutura no Brasil nos próximos anos. A aposta é que a infraestrutura digital ganhe relevância superior a outros setores tradicionais.

Executivos apontam que o fraco acordo de fiscalidade pode travar o ritmo. Segundo estudo do Santander, 23% dos entrevistados citaram data centers como principal polo de aporte em infraestrutura, acima de rodovias e saneamento, ambos com 20%.

Para Luciano Fialho, vice-presidente da Scala Data Centers, os EUA devem continuar como destino principal de investimentos, mas não suprirão a demanda, dada a oferta de energia. O Brasil tem potencial com energia renovável para atender parte do mercado.

O país poderia atender ao processamento de IA com menor latência para determinados usos, especialmente treinamentos de modelos e dados de redes sociais. Ainda assim, a viabilidade depende da aprovação de incentivos fiscais, conforme destaca Fialho.

Redata em foco

O regime especial de tributação para data centers, o Redata, ainda não foi aprovado. A proposta envolve isenções de importação de componentes-chave e tramita no Senado após ter passado pela Câmara. Sem desonerações, o custo de operação no Brasil fica mais elevado que nos EUA.

Fialho estima que, sem incentivos, o custo de um data center nos EUA fica cerca de 35% abaixo do brasileiro, em moeda corrente. Com o Redata, o Brasil poderia ampliar a capacidade local de 750 MW hoje para 3 GW até 2032.

Caso ocorra, a projeção é de cerca de R$ 100 bilhões em capex anual, considerando que cada megawatt adicional custa em torno de US$ 50 milhões. Incentivos adicionais podem elevar esse patamar ainda mais, aponta o executivo.

Panorama de mercado

Estudos indicam que investimentos em data centers para hyperscalers atingiram US$ 930 bilhões nos últimos seis anos, segundo uma análise da Apollo Global Management. Em comparação, o Plano Marshall somou US$ 170 bilhões em quatro anos.

Além da construção dos centros, o avanço deve exigir expansão de energia, fibra óptica e torres de transmissão de dados. O data center é visto como “o coração” de um conjunto de ativos estratégicos conectados.

A Scala integrou a Abdib, visando defender interesses da infraestrutura digital. A empresa tem origem na aquisição dos data centers da UOL Diveo e pretende ampliar presença na América Latina, com planos de atuar em várias frentes da região.

Outros grandes players no Brasil incluem Ascenty ( Brookfield) e Digital Realty, além de Aligned, com participação de GIP, Nvidia e Microsoft e atuação na América Latina via Odata. Também atuam NextStream e Omnia, esta última em Ceará para a ByteDance.

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