- Em 24 de maio de 2021, a Polícia Federal prendeu em João Pessoa os mafiosos Rocco Morabito e Vincenzo Pasquino, acompanhados de Anselmo Lima da Oliveira, apontado como apoiador brasileiro do esquema entre a ’Ndrangheta e o PCC.
- A análise do celular de Anselmo levou os investigadores à face brasileira do consórcio com os italianos, alvo das operações Samba, Conexão Paraíba e Mafiusi deflagradas em dezembro de 2024.
- Os agentes encontraram indícios de branqueamento de capitais por meio de criptoativos, com a Digito Recebimentos Digitais Ltda movimentando mais de R$ 1,05 bilhão em 2.556 operações, ligadas a uma rede envolvendo a UPCâmbio.
- O criptodoleiro Dante Felipini, apontado como operador principal, era dono da Makes Exchange e movimentou bilhões; ele foi preso na Operação Colossus, em 7 de janeiro de 2024, e é ligado ao PCC e ao Hezbollah.
- A investigação cruzou vias com a Etnad Ednarg e a UPCâmbio, revelando uma complexa rede de empresas de fachada que transferiam recursos para criptomoedas, levando à condenação de Felipini em 2025 e à análise de ligações com o crime organizado no Brasil e no exterior.
Na Paraíba, a Polícia Federal deflagrou a Operação Conexão Paraíba, associando o esquema da ‘Ndrangheta ao PCC no tráfico internacional e à lavagem de dinheiro. A ação ocorreu em João Pessoa, envolvendo prisões e a apreensão de celulares que devem sustentar delações.
Na tarde de 24 de maio de 2021, foram presos os italianos Rocco Morabito, conhecido como rei da cocaína de Milão, e Vincenzo Pasquino, que firmaria delação premiada. Um brasileiro, Anselmo Lima da Oliveira, também foi detido e acompanhado do celular que desencadeou a investigação.
A análise do telefone de Anselmo levou os federais a desvendar a relação entre o grupo italiano e o PCC no Brasil. A investigação aponta estruturas no Brasil ligadas à Ndrangheta, ao PCC e a operações de câmbio ilícito, com desdobramentos em Brasília, São Paulo e outras regiões.
Ligações entre operações e desdobramentos
A PF identificou que uma parte dos lucros do grupo era branqu eada por meio de criptoativos. Entre as empresas ligadas aos investigados, destacam-se a Digito Recebimentos Digitais Ltda e a UPCâmbio Serviços Digitais Ltda, com fluxo expressivo de recursos.
A Digito teria movimentado mais de 2,5 mil operações, totalizando cerca de 1,053 bilhão de reais, conforme dados de investigação. Do outro lado, a UPCâmbio recebeu recursos de empresas sob controle do jovem operador de criptoativos Dante Felipini, investigado pela Colossus.
Continuidade das apurações e personagens-chave
Dante Felipini é apontado pela PF como criador de plataformas de criptoativos associadas à máfia italiana e ao PCC. A Makes Exchange, com sede na capital paulista, foi responsabilizada por movimentar bilhões em créditos e débitos vinculados a atividades ilícitas.
Demétrio Batista de Oliveira, conhecido como Pateta ou Fantasma, afirmou ter atuado na construção e exportação, e negou vínculos diretos com Morabito ou Pasquino. A defesa sustenta que as alegações sobre participação dele não estão comprovadas.
O inquérito também envolve a empresa Etnad Ednarg, cuja estrutura supostamente conectava fluxos com a UPCâmbio. Em outubro de 2025, Demétrio foi condenado por organização criminosa e evasão de divisas, em julgamento vinculado à Colossus.
Contexto e impactos
As investigações destacam a interligação entre crime organizado e o sistema financeiro, com instituições acusadas de facilitar operações de câmbio irregulares. A PF aponta que o método de lavagem usava criptoativos para ocultar a origem de recursos.
As defesas negam envolvimento direto com atividades criminosas e destacam que as fases de apuração, cooperação com autoridades e cumprimento de normas foram observadas. A reportagem não divulga contatos ou e-mails de outros portais.
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