- O governo precisa realizar cerca de dois leilões rodoviários por mês para atingir a meta de treze certames em 2026.
- Até agora, apenas duas concessões previstas para este ano foram a mercado: Rotas Gerais (MG) e Rota dos Sertões (PE/BA), concentrando cerca de 85% dos certames no segundo semestre.
- O único certame já com data definida para julho é a Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR).
- Se todos os ativos previstos forem leiloados, o Ministério dos Transportes repetirá o recorde de 13 certames em 2026; em 2025 foram 13 leilões.
- O ritmo depende de repactuações contratuais e de restrições orçamentárias, com bloqueios e contingenciamentos de recursos afetando órgãos reguladores e planejamento.
O governo federal precisa realizar cerca de dois leilões rodoviários por mês para cumprir a meta de 13 certames em 2026. A prioridade é combinar novos projetos com repactuações, em meio a aperto orçamentário para quem estrutura e regula as concessões.
Das concessões previstas, apenas duas já foram a mercado: Rotas Gerais (MG) e Rota dos Sertões (PE/BA). Com isso, aproximadamente 85% dos certames de 2026 ficaram para o segundo semestre. A agenda chega a julho com o leilão da Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), já com data definida.
Se todos os ativos forem leiloados, o Ministério dos Transportes pode repetir o recorde de 13 certames em 2025. Em 2024-2025, o ritmo acelerou no fim do ano, com várias disputas promovidas na segunda metade. O governo mantém a projeção de 13 leilões em 2026, mesmo com início mais lento.
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a meta é viável, destacando o volume de leilões promovidos pela gestão desde 2023 e o montante investido, que supera R$ 260 bilhões. A agenda inclui ainda a Rota 2 de Julho, a Rota Vale do Café e os lotes das Rodovias Integradas de Santa Catarina.
Representantes do setor avaliam cenários distintos. A ABCR aponta que é necessário acelerar a cadência, desde que a qualidade dos projetos seja mantida. Já o escritório de advocacia VLR Advogados ressalta que a consistência dos projetos, e não apenas o número de certames, é determinante para o sucesso.
Investidores mantêm interesse elevado em ativos rodoviários, com recorrente competição em leilões recentes e entrada de novos players. Analistas destacam que o principal desafio envolve a estruturação e a modelagem dos projetos, além de questões institucionais.
Cenário orçamentário e repactuações
O governo bloqueou recursos para cumprir metas fiscais, com cortes que atingiram o Ministério dos Transportes, a ANTT e pastas de infraestrutura. As repactuações, por sua vez, elevam a complexidade do calendário, exigindo acordo entre partes e etapas adicionais de concorrência.
Conflitos potenciais entre ritmo de leilões e qualidade dos contratos são citados por especialistas. Há consenso de que, sem alinhamento sólido, a agenda pode enfrentar dificuldades nos primeiros anos de operação, mesmo com o volume de certames mantido.
A agenda de concessões, porém, não depende apenas do governo. O ritmo também depende de consensos entre concessionárias, reguladores e órgãos de controle, além da capacidade de estruturar e validar projetos com antecedência suficiente.
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