- A Latam vai reduzir a oferta de voos em cerca de 3% em junho e julho para conter o aumento de custos com combustível.
- O presidente da Latam, Jerome Cadier, informou que a alta do querosene de aviação é consequência do aumento dos preços do petróleo, impulsionados pelo conflito no Oriente Médio.
- A Azul também anunciou ajustes na operação para enfrentar custos mais elevados, com foco em preservar o caixa.
- A Abear aponta que o querosene já representa aproximadamente 45% dos custos operacionais das aéreas brasileiras, mesmo com a Petrobras tendo reduzido o preço médio do QAV às distribuidoras.
- O impacto não é local: companhias na Europa e nos Estados Unidos também enfrentam elevação de custos com combustível, o que pode reduzir a oferta de voos e pressionar tarifas.
A Latam informou que reduzirá a oferta de voos em cerca de 3% nos meses de junho e julho, para conter o aumento dos custos com combustível. A medida acompanha a alta do querosene de aviação provocada pela valorização do petróleo e pelo conflito no Oriente Médio. O presidente da Latam, Jerome Cadier, explicou que a revisão da malha aérea visa manter a competitividade diante das cotações internacionais.
A companhia afirmou que a expansão prevista para este ano deve ocorrer, mas em ritmo menor do que o inicialmente planejado. A redução de voos não implica em suspensão total de serviços, apenas ajustes operacionais para enfrentar custos mais elevados.
Alta do petróleo pressiona custos
O conflito envolvendo o Irã elevou as preocupações com o abastecimento global de energia, pressionando o preço do petróleo. Como consequência, o combustível de aviação voltou a impactar as margens das empresas aéreas, setor altamente sensível a oscilações da commodity.
A Latam estima que os ajustes na malha possam se estender ao terceiro trimestre, caso o cenário internacional permaneça instável. A mudança busca manter a rentabilidade em meio a custos crescentes.
Azul também ajusta operações
A Azul anunciou medidas para enfrentar o aumento das despesas operacionais. Segundo o presidente John Rodgerson, a estratégia visa preservar o caixa em um ambiente de custos mais elevados e incertezas econômicas. As companhias do setor ajustam a capacidade para adaptar a oferta aos novos patamares de custo.
Combustível representa quase metade dos gastos
A Abear aponta que o querosene de aviação já corresponde a cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras. A pressão persiste mesmo após a Petrobras reduzir, no início de junho, o preço médio do QAV vendido às distribuidoras em 14,2%, uma queda de 0,93 real por litro.
Essa redução não foi suficiente para compensar o recuo das cotações internacionais provocadas por tensões geopolíticas. O efeito também se vê no exterior, com impactos na Europa e nos Estados Unidos.
Impacto internacional
No continente europeu, SAS, Air France-KLM e Lufthansa enfrentam aumento de custos operacionais, com a SAS chegando a cancelar centenas de voos e reajustar rotas temporariamente. Nos EUA, gastos com combustível subiram 78% em abril frente ao mesmo mês do ano anterior, somando quase US$ 6,5 bilhões.
Mercado e demanda
O atraso no crescimento da demanda ocorre em meio a maior sensibilidade dos passageiros aos preços das passagens. Com combustível mais caro, as companhias ajustam a oferta para preservar margens, o que pode reduzir assentos disponíveis e influenciar tarifas nos meses seguintes.
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