- Governo prepara o quinto leilão do Ecoinvest para julho, mantendo o ritmo dos quatro primeiros e contando com grandes bancos públicos e privados; doze instituições já participaram dos certames.
- Segundo o ministro João Paulo Capobianco, o volume total de recursos envolvidos, somando o Fundo Clima, chega a 216 bilhões de reais, com alta alavancagem pelos bancos (em média, 1 real de recursos públicos para 3 reais de contrapartida privada).
- O quinto leilão terá foco em inovação e minerais críticos, com investimentos em insumos verdes, baterias, veículos elétricos e química verde; haverá estímulo a startups e maior integração academia-empresa, com metas de pelo menos 10% do portfólio para instituições acadêmicas e 20% para projetos de baixa maturação tecnológica.
- O MMA defende o desenvolvimento de uma indústria brasileira de minerais críticos para processar e agregar valor no país, incluindo a criação de um comitê ambiental; em relação à BR-319, não haverá dispensa de licenciamento.
- Além do Ecoinvest, o governo trabalha em ações como o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), regulamentação do pagamento por serviços ambientais e Cotas de Reserva Ambiental (CRA), com avanços para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e estruturar o mapa energético do país para o CNPE.
Brasília — O governo intensifica a corrida bilionária por crédito verde e por projetos ligados a minerais críticos, impulsionados pelo programa Ecoinvest e pelo Fundo Clima. O objetivo é financiar a transição ecológica com participação de grandes bancos e aporte público.
Segundo o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o interesse do setor privado supera as expectativas nos quatro leilões já realizados. O próximo leilão Ecoinvest está marcado para julho, com a possibilidade de um sexto ainda neste ano, caso haja demanda suficiente.
Participam do programa os maiores bancos do país, que disputam o direito de ofertar crédito com foco em sustentabilidade, contando com parte de recursos públicos. O objetivo é acelerar ações de inovação e facilitar projetos com baixo carbono.
Capobianco avaliou que, somado ao Fundo Clima, o Ecoinvest já soma R$ 216 bilhões em recursos privados mobilizados. O ministro destacou que o volume reflete o apetite do mercado por soluções de restauração, eletrificação e conservação.
Entre as instituições que já disputaram os recursos estão Itaú, Bradesco, Caixa, Banco do Brasil, BNDES, Santander, HSBC, BTG, Citibank, Safra, Rabobank e ABC. As vencedoras alocam os recursos em carteiras com clientes pré-selecionados.
O modelo de alavancagem é considerado o grande motor: para cada R$ 1 de recurso público, há alocação de R$ 3 pelas instituições. No quarto leilão, a relação chegou a 4,5 vezes, segundo o Ministério do Meio Ambiente.
Minerais críticos e inovação
O quinto leilão priorizará a inovação, incluindo investimentos em minerais críticos. Capobianco destacou a possibilidade de o Ecoinvest financiar a cadeia de valor desses minerais, com apoio adicional do Fundo Clima, para evitar que o Brasil seja apenas exportador de matérias-primas.
Ele enfatizou o potencial do país em processar e incrementar o valor agregado de minerais críticos, desenvolvendo indústria local de baterias, ímãs e componentes para veículos elétricos, reduzindo dependência de importação.
Além disso, o governo trabalha para estruturar o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF) até o fim do ano, com previsão de chegar a US$ 10 bilhões em investimentos, já contando com US$ 6 bilhões compromissados. O formato precisa de aprovação em diferentes órgãos e países.
Licenciamento ambiental e agenda 2026
Capobianco confirmou que o processo de licenciamento ambiental da BR-319 seguirá em andamento, sem dispensa de licenças. O DNIT deverá encaminhar informações para a licença de instalação nos próximos meses.
A proposta de mapa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis envolve ajustes entre quatro ministérios (MMA, Minas e Energia, Fazenda e Casa Civil) e deverá ser encaminhada ao CNPE para definição de diretrizes e cenários. Haverá participação social ampla.
O ministro destacou ainda a agenda de pagamento por serviços ambientais, regulamentação do mercado de carbono e novas ações de recuperação de áreas degradadas. Cotas de Reserva Ambiental devem ganhar incentivos para propriedades com excedente de reserva legal.
- O texto é fruto de uma entrevista ao NeoFeed, com foco nos impactos dos leilões Ecoinvest, no papel dos minerais críticos e na estratégia governamental de financiar a transição ecológica com respostas rápidas do setor privado.
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