- Em 2023, a participação feminina no trabalho chegou a 53%, e em 2025 houve recorde de 10,4 milhões de empreendedoras; ainda assim 1 em cada 4 mulheres vive com menos de US$ 6 por dia.
- A diferença de remuneração é de 21% em média, com salário de mulheres de R$ 3.965 contra R$ 5.039 de homens; a maternidade reduz o salário feminino em até 24% no primeiro filho e até 40% para três filhos ou mais.
- Mulheres respondem por 76% das horas de trabalho não remunerado e trabalham em média 58,1 horas semanais; a taxa de participação no emprego foi de 49,1% em 2024, contra 68,8% dos homens.
- No crédito, 47% das empreendedoras relatam dificuldade, 85% tiveram pedidos negados e pagam, em média, 40,6% ao ano; 61,6% recorrem à internet para decisões de investimento.
- O estudo recomenda ações como reduzir a brecha salarial, igualar licença-paternidade à maternidade, tornar a linguagem do mercado financeiro mais acessível e ampliar crédito sem viés de gênero para negócios liderados por mulheres.
As mulheres ainda enfrentam desigualdades no mercado financeiro, mesmo com participação crescente. O estudo Elas Pagam a Conta, do Think Eva em parceria com Olga, aponta estruturas que sustentam a exclusão econômica feminina no Brasil.
A participação feminina no trabalho subiu de 34,8% em 1990 para 53% em 2023, segundo a OIT. Em 2025, o país registrou recorde de 10,4 milhões de empreendedoras. Mesmo assim, 1 em cada 4 brasileiras vive com menos de US$ 6 por dia, conforme o IBGE.
Segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial do Governo Federal, mulheres recebem em média 21% a menos que homens. No setor privado, a diferença é de R$ 3.965 contra R$ 5.039. Ensino superior não compensa a disparidade.
A maternidade acentua a diferença salarial. O nascimento do primeiro filho reduz o salário feminino em até 24%, e para três filhos ou mais a queda chega a 40%. Em contrapartida, o impacto para homens é próximo de zero.
A sobrecarga de cuidado recai sobre mulheres, que respondem por 76% das horas de trabalho não remunerado no Brasil. Elas trabalham em média 58,1 horas semanais, contra 50,3 dos homens. Em 2024, 49,1% estavam ativas no mercado, ante 68,8% dos homens.
No crédito, 47% das empreendedoras relatam dificuldade, com 85% já tendo pedido negado e taxa média de 40,6% ao ano. Na prática, isso limita o acesso a recursos para negócios liderados por mulheres.
Em investimento, o estudo desmonta a ideia de aversão ao risco. A capacidade de risco difere da disponibilidade para assumir riscos, com as mulheres atuando com objetivos mais práticos, como educação dos filhos e reserva de emergência.
Pesquisas apontam que as carteiras femininas, segundo levantamento, renderam 4,6 pontos percentuais a mais que as masculinas. Mulheres buscam mais informações antes de investir e dependem menos de recomendações informais.
Grande parte das respondentes recorre à internet para decisões de investimento (61,6%). Apenas 20,5% utilizam assessorias e 12,5% bancos. Essas escolhas influenciam o acesso a produtos financeiros e crédito.
As conclusões destacam desafios de linguagem e transparência do mercado. Um contingente significativo recorre a fontes digitais, elevando a necessidade de educação financeira acessível.
Entre as propostas, a correção da brecha salarial aparece como prioridade para ampliar autonomia. A lacuna pode impactar o PIB: a OIT estima ganhos de até R$ 382 bilhões entre 2017 e 2025 com políticas de igualdade de gênero.
Outras medidas incluem licença-paternidade equiparada à maternidade, com mudanças graduais até 2029, além de linguagem mais clara nos produtos financeiros. Acesso a crédito sem vieses para CNPJs liderados por mulheres também é ressaltado.
No setor público, o estudo recomenda ampliar transferências de renda, microcrédito específico e políticas de apoio ao trabalho de cuidado, para reduzir o peso da sobrecarga não remunerada.
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