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Perda de biodiversidade pode desencadear crise de dívida em vários países

Perda de biodiversidade elevaria custos de juros da dívida soberana em US$ 162 bilhões por ano, atingindo principalmente economias vulneráveis

Biodiversidade — Foto: AdobeStock
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  • Pesquisadores lançaram o primeiro modelo de classificação de risco soberano ajustado para a biodiversidade, apontando que a degradação de ecossistemas pode elevar custos de endividamento e rebaixar notas de crédito.
  • Em um cenário de colapso parcial de serviços ecossistêmicos, a economia global poderia cair cerca de US$ 2 trilhões em PIB e os pagamentos de juros de dívidas soberanas aumentariam em aproximadamente US$ 162 bilhões por ano.
  • O estudo sugere que agências de rating atuais subestimam os impactos da natureza, o que poderia precificar inadequadamente cerca de US$ 83 trilhões em ativos financeiros mundiais.
  • Economias vulneráveis, como Índia e China, seriam as mais impactadas: a nota da Índia poderia cair em quatro níveis e a da China em mais de cinco, com aumentos de juros estimados em US$ 50 bilhões/dólares para a Índia e US$ 70 bilhões para a China.
  • O estudo abrange 23 países que concentram cerca de 5,5 bilhões de pessoas, destacando riscos de deterioração de classificação de crédito para governos em prazos de longo prazo e impactos sobre investimentos.

A perda de biodiversidade pode aumentar significativamente o custo de endividamento dos países, segundo estudo publicado na Nature Sustainability. A pesquisa sustenta que a degradação de ecossistemas-chave eleva riscos de crédito e pode ampliar a probabilidade de calotes.

Liderado por economistas das universidades de Sussex, Sheffield e Heriot-Watt, o trabalho desenvolveu o que chama de primeiro modelo de classificação de risco soberano ajustado para a biodiversidade. POLÍTICA: impactos não considerados hoje por agências de avaliação.

O estudo simulou um cenário de colapso parcial de serviços ecossistêmicos, como polinização, pesca e proteção de florestas tropicais. No quadro, a economia global perderia cerca de 2 trilhões de dólares em PIB por ano, com juros da dívida aumentando em 162 bilhões de dólares anuais.

Metodologia e cenário econômico

Os autores afirmam que os modelos atuais ignoram a influência da natureza sobre a capacidade de gerar riqueza. O ajuste proposto pode implicar precificação diferente de ativos globais estimados em 83 trilhões de dólares.

Entre os cenários, a queda de serviços ecossistêmicos levaria a elevações nos custos de financiamento para governos, com impactos diretos sobre as condições de crédito soberano no curto e no longo prazo.

A coautora Pati Klusak destaca que a avaliação de risco precisa incorporar a natureza para evitar distorções que lembrem a crise de 2008. O estudo alerta para riscos de crédito não reconhecidos pelo mercado.

Efeitos por país e vulnerabilidade

A pesquisa aponta impactos severos para economias dependentes de recursos naturais. Em um cenário de degradação ambiental, a nota de crédito da Índia poderia recuar até quatro níveis, enquanto a da China poderia cair mais de cinco posições.

Estimativas apontam que tais rebaixamentos elevem em cerca de 50 bilhões de dólares os custos de dívida da Índia e em 70 bilhões de dólares os da China. Países como Indonésia, Bangladesh e Malásia também poderiam registrar quedas entre quatro e seis níveis.

Ao todo, 23 países foram analisados, correspondendo a aproximadamente 5,5 bilhões de habitantes. Em muitos deles, mudanças nas classificações de crédito elevam o risco de inadimplência para governos.

Implicações para finanças públicas e metas globais

Os autores destacam que os custos adicionais equivalem a quase três quartos de toda a assistência internacional ao desenvolvimento anual. Também podem comprometer parte significativa da meta de mobilizar 200 bilhões de dólares por ano para conservação, prevista em acordos globais.

O estudo recomenda que bancos centrais, reguladores e agências de classificação integrem a perda de biodiversidade aos modelos econômicos. O efeito é especialmente relevante para títulos públicos de longo prazo, cuja viabilidade pode ser afetada ao longo das próximas décadas.

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