- O BRB enfrenta uma corrida de liquidez por não divulgar o balanço de 2025, conforme diz o presidente Nelson Antônio de Souza.
- Os prejuízos vêm das operações com o Banco Master, com créditos de R$ 21,9 bilhões e R$ 12,2 bilhões considerados fraudulentos; é necessário provisionar R$ 8,8 bilhões para cobrir o rombo.
- O banco informou que prometeu divulgar os resultados no dia 29 de maio, mas a data foi adiada após acordo para viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos.
- O acordo envolve o Distrito Federal como acionista controlador, com fiadores públicos e privados para a operação, e o DF oferecendo contragarantias como receitas do FPE e do FPM.
- Além do empréstimo de capitalização, há indicação de securitização da dívida ativa do DF para levantar cerca de R$ 3 bilhões, somando-se aos $ 6,6 bilhões e demais entradas.
O BRB, banco do Distrito Federal, enfrenta uma queda de liquidez pela falta de divulgação dos balanços de 2025. O presidente Nelson Antônio de Souza disse que o próprio BRB é o principal interessado em publicar os resultados completos e auditados para acalmar o mercado, clientes e sociedade.
A fala ocorreu durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O encontro foi presidido pelo senador Renan Calheiros e houve convocação acionada pela senadora Damares Alves. O tema envolve o prejuízo gerado por operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Contexto financeiro
Atualmente, o BRB tem créditos vindos do Master avaliados em 21,9 bilhões de reais, com 12,2 bilhões de reais identificados como créditos fraudulentos. Apenas parte do prejuízo foi recuperada, e o montante de provisionamento necessário é de 8,8 bilhões de reais, segundo o presidente do BRB.
O atraso na divulgação do balanço de 2025 levou o banco a prometer publicá-lo em 29 de maio, data que acabou cancelada. A mudança ocorreu após acordo entre o governo do Distrito Federal e o Palácio do Planalto para viabilizar um empréstimo de até 6,6 bilhões de reais do FGC, para socorrer o BRB.
Condições do empréstimo e fontes de apoio
O modelo de financiamento foi descrito pelo presidente do BRB como uma engenharia financeira sem precedentes no país. As condições propostas pelo DF incluem juros IPCA mais 4,5% e 18 meses de carência, com reconhecimento de que o custo final depende da aprovação dos credores.
Segundo Souza, a primeira parcela do empréstimo ocorreria apenas em 2028, em torno de 95,6 milhões de reais mensais, ainda sem garantia definitiva.
O desenho envolve maiores bancos públicos e privados como fiadores da operação. O Distrito Federal entraria com contragarantias para cobrir eventuais calotes. Entre as contrapartidas estariam receitas do FPE e do FPM, que somam cerca de 2 bilhões de reais por ano, além de outras garantias como dividendos.
Avanços legais e próximos passos
O Distrito Federal, controlador acionário do BRB, busca aporte para manter a liquidez do banco. A Câmara Legislativa do DF precisa aprovar um novo projeto de lei que autorize o empréstimo ao FGC, exigido pela operação de apoio ao BRB.
Além do empréstimo de 6,6 bilhões de reais, Souza apontou que o rombo adicional pode ser coberto pela securitização de dívida ativa do DF. Ele citou a possibilidade de obter aproximadamente 3 bilhões de reais com esse mecanismo, além do montante já indicado pela primeira operação de securitização de 1,17 bilhão de reais.
Fontes: declarações do presidente do BRB em audiência na CAE do Senado. As informações também acompanham a repercussão de ações do governo local e decisões judiciais envolvendo o BRB e o Master.
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