- No primeiro dia do Anfavea Visions 2026, em São Paulo, ficou em foco a infraestrutura e a economia do setor automotivo.
- O presidente da VW Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, afirma que a Ásia ganha espaço no mercado global, impactando a indústria brasileira.
- Cortes defende que o Brasil não deve copiar modelos externos, mas usar vantagens locais, como o potencial agroenergético, para descarbonizar de forma viável.
- A atuação tecnológica deve seguir duas frentes: ambiente urbano, com mais viabilidade para elétricos, e longas distâncias, onde o diesel ainda predomina.
- O caminho rumo à neutralidade de carbono deve ser misto, combinando eletrificação, biodiesel (ou HVO) e outras soluções disponíveis no Brasil, conforme a maturidade logística de cada região.
No primeiro dia do Anfavea Visions 2026, em São Paulo, o debate destacou a infraestrutura e a economia do setor automotivo nacional, com foco no futuro do transporte de cargas. Roberto Cortes, presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, abriu a conversa ao analisar a matriz energética brasileira frente ao cenário internacional.
Cortes apontou que a indústria vive uma reconfiguração global, marcada pela força crescente do Oriente. Segundo ele, a Ásia ganha protagonismo a partir de novos pilares de demanda e tecnologia, o que impõe desafios e oportunidades ao Brasil.
Ele defendeu que o Brasil não deve copiar modelos europeus ou asiáticos, mas explorar suas próprias vantagens geográficas e econômicas. O executivo sinalizou a importância de explorar o potencial agroenergético do país para estruturar um caminho de descarbonização compatível com custos.
A visão apresentada sugere que não existe solução única para todas as aplicações, o que pode afetar a velocidade de modernização das frotas comerciais e o custo do frete, impactando setores como agronegócio e distribuição urbana.
Divisão entre urbano e longo alcance
A aplicação de novas tecnologias de propulsão deve considerar infraestrutura e autonomia, dividindo o transporte pesado em duas frentes. Cortes afirmou que a infraestrutura atual favorece o retorno financeiro e ambiental de cada opção.
Nas grandes cidades, o ecossistema já se mostra propício para veículos movidos a baterias. Já em rodovias de longa distância, a demanda permanece por soluções com maior densidade energética, como diesel, biodiesel ou HVO.
Para o executivo, o uso de elétricos ganha viabilidade econômica no ambiente urbano, com entrega e transporte de pessoas beneficiados pela infraestrutura existente. No transporte de longa distância, ele permanece mais dependente de combustíveis fósseis, ainda que haja espaço para biodiesel integral ou HVO.
Essa leitura reforça a ideia de que o caminho para a neutralidade de carbono no Brasil será misto, variando conforme a maturidade logística de cada região, a finalidade do transporte e a adoção de soluções energeticamente alternativas já desenvolvidas no país.
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