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Economia pode exigir mais esforço na próxima crise, diz autor sobre 1929

Sorkin alerta: na próxima crise, gastos estatais podem não bastar; lições de 1929 e 2008 não asseguram resposta rápida

Trabalhadores na Bolsa de Nova York, em Wall Street, na década de 1920
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  • Andrew Ross Sorkin lança no Brasil o livro 1929, conectando a crise da bolsa de 1929 à de 2008 e sugerindo que aprender não significa que a próxima só terá soluções antigas.
  • O livro reconstitui a origem da crise de 1929, destacando a popularização do investimento a crédito e a alavancagem que elevou ações e ampliou quedas subsequentes.
  • Em 2008, o governo americano usou gastos públicos para conter o colapso financeiro, uma resposta creditada a lições da Grande Depressão.
  • Sorkin alerta que, na próxima crise, o dinheiro pode ficar caro e a negociação política pode ser mais difícil, tornando as medidas de estímulo menos eficazes.
  • O autor compara o contexto da quase-cooperação entre governos em 2008 com a maior polarização atual, que complica ações coletivas, ao contrário do que ocorreu no fim da década de 1930.

Na obra 1929: Por Dentro da Maior Crise da História de Wall Street – E como Ela Abalou o Mundo, o jornalista Andrew Ross Sorkin analisa a quebra da Bolsa de Nova York em 1929 e traça paralelos com crises recentes. O livro, lançado no Brasil, funciona como uma leitura complementar ao seu best-seller Too Big to Fail.

Sorkin observa que as crises de 1929 e de 2008 Guardam ligações históricas. No entanto, ele alerta que aprendizados não garantem respostas certeiras para a próxima crise, especialmente diante de mudanças estruturais na economia e no comportamento do mercado.

A narrativa do autor destaca o surgimento da democratização do investimento na década de 1920, com compras de ações a crédito que alavancaram ganhos e, ao mesmo tempo, ampliaram o risco. A crise só ocorreu diante da severa contração monetária e de falhas regulatórias da época.

No livro, o episódio de 2008 é apresentado como resposta estatal rápida para evitar uma repetição da Grande Depressão. Ben Bernanke, à frente do Fed, defende ações contundentes para impedir o colapso financeiro e a paralisia da economia.

A obra também aborda como, na prática, o governo dos Estados Unidos utilizou gastos públicos e intervenções para socorrer o sistema financeiro. A narrativa remete à pandemia como exemplo de resposta à crise, com resultados considerados bem-sucedidos na visão de Sorkin.

O autor compara o contexto atual com o passado, destacando limitações de financiamento, cenários de juros mais elevados e a dificuldade de coordenação política. Em 2008, houve cooperação entre governos e legislaturas, elemento que pode não se repetir com a mesma facilidade.

Por fim, Sorkin sugere cautela quanto à crença de que existe uma receita universal para crises futuras. Em um cenário de maior polarização e maior custo de endividamento, a resposta econômica pode exigir medidas diferentes das adotadas em décadas anteriores.

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