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Economista previa 15h de trabalho por semana; previsão não se confirmou

Keynes previu que a produtividade reduzisse jornadas a quinze horas, mas ganhos ficaram concentrados e o consumo ampliou-se, mantendo longas jornadas.

Ensaio Possibilidades Econômicas para Nossos Netos, de Keynes, falava em jornadas de 3 horas por dia
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  • Keynes, em Possibilidades Econômicas para Nossos Netos, previa que em cerca de cem anos seria possível reduzir a jornada de trabalho para quinze horas semanais, com sociedades mais ricas e menos trabalho.
  • O ensaio foi apresentado na década de 1920 e publicado em outubro de 1930, durante a Grande Depressão, defendendo que o progresso tecnológico aumentaria a produção com menos trabalho humano.
  • Na visão de Keynes, haveria desemprego tecnológico no curto prazo, mas, no longo prazo, a sociedade conseguiria manter ou ampliar o padrão de vida com menos horas de trabalho.
  • O que impediu a realização da previsão foi a combinação entre aumento da demanda por consumo, distribuição desigual dos ganhos de produtividade e escolha das empresas em manter mão de obra, mesmo diante da automação.
  • Especialistas destacam que os ganhos de produtividade foram absorvidos por lucros e rendimentos de capital, e que novas formas de consumo, crédito e cultura consumista contribuíram para manter jornadas de trabalho relativamente elevadas.

O economista britânico John Maynard Keynes imaginou, em 1930, jornadas de trabalho de apenas 15 horas semanais. Em vez disso, a economia mundial não reduziu as horas, apesar do ganho de produtividade. A previsão surgiu num momento de transição tecnológica e crise econômica.

Keynes defendia que avanços tecnológicos permitiriam produzir mais com menos trabalho humano. No longo prazo, ele previa pleno emprego, consumo estável e menos foco em riqueza. O objetivo seria liberar tempo para cultura, convivência e desenvolvimento pessoal.

A ideia ganhou força por meio do ensaio Possibilidades Econômicas para Nossos Netos, apresentado entre 1928 e 1930, em contexto da Grande Depressão. O texto sinalizava que a crise não era permanente, mas uma fase de transição tecnológica.

Contexto histórico e recepção

Para Patrícia Pelatieri, a obra é clássica e contextualiza-se na década de 1930, quando a economia enfrentava desemprego aberto. Keynes via a queda de demanda como fenômeno passageiro diante de reformas estruturais e tecnologia.

Paulo Niccoli Ramirez destaca que Keynes desafiou o dogma de que mais trabalho gera mais riqueza. A tecnologia, segundo ele, poderia reduzir a jornada sem deixar as pessoas sem subsistência.

Christian Lohbauer comenta que o consumo cresceu junto com a produtividade. Assim, reduzir horas não ocorreu porque as pessoas desejam mais lazer, mas também mais bens e serviços.

Por que a previsão não se realizou

Pelatieri aponta que as necessidades humanas se diversificaram. Itens como celulares e internet passaram a ser vistos como essenciais, elevando o consumo. Além disso, os ganhos de produtividade não foram distribuídos de forma igual.

Ramirez ressalta que a riqueza gerada pela automação não reduziu drasticamente as jornadas. Em muitas situações, o aumento de lucros ficou com o capital, não com a redução de horas de trabalho.

Ramos lembra que a expansão do consumo, a financeirização e a mudança de identidade pelo trabalho inviabilizaram a redução generalizada da jornada. O avanço tecnológico não foi suficiente para distribuir amplamente os benefícios.

O que ainda importa hoje

Pelatieri observa que a ideia de Keynes permanece relevante como reflexão sobre distribuição de ganhos. A tecnologia pode ampliar a produção, desde que haja equidade na distribuição de renda.

O debate atual envolve como equilibrar inovação, emprego e qualidade de vida. A partir de Keynes, a sociedade busca entender como o tempo livre pode ser usado para educação, cultura e convivência.

Ramos reforça: a visão keynesiana não previa apenas números; antecipava mudanças culturais, sociais e morais que acompanham o progresso econômico.

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