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Escalada da IA depende de ativos naturais, aponta ponto de inflexão

A IA depende de terras raras e de uma cadeia de valor industrial; o Brasil, com grandes reservas, precisa elevar extração, refino e manufatura

O avanço da IA chegará ao ponto onde será impulsionado pela disputa por recursos lunares. (Freepik)
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  • O IA está ligado à disponibilidade de minerais críticos, como terras raras, grafite e niobio, com a Lua surgindo como cenário de exploração a longo prazo.
  • No Brasil, há grande potencial: cerca de vinte e três por cento dos depósitos globais de terras raras e noventa e quatro por cento das reservas de nióbio.
  • O Ministério de Minas e Energia publicou, em 2026, o guia Minerals Criticals of Brazil: A Guide for Foreign Investors, destacando a necessidade de diversificar cadeias de processamento e atrair IED com foco em ESG.
  • A China concentra grande parte do refino de terras raras (em torno de noventa e um por cento em dois mil e vinte e quatro), o que confere poder geopolítico e influencia negociações globais.
  • O desafio brasileiro é transformar o potencial em liderança industrial, avançando na extração, processamento e manufatura de alto valor, em vez de exportar apenas commodities, para apoiar a transição energética global.

O avanço da IA pode depender da disponibilidade de recursos naturais, sobretudo terras raras, minerais críticos e energia. O tema foi debatido no IA Summit 2026, em São Paulo, com a apresentação do geofísico Sérgio Sacani e a relação entre IA, terras raras e exploração lunar.

Sacani destacou que disputas por recursos estratégicos moldam a agenda tecnológica e de políticas industriais. Ele apontou também o custo ambiental do processamento de minerais e a necessidade de evitar tratá-los apenas como commodities.

A conversa ampliou o foco para o Brasil, que detém cerca de 23% das reservas globais de terras raras e 94% do nióbio, além de reservas expressivas de grafite e lithium. O potencial é relevante, mas exige indústria local de alto valor agregado.

No entanto, transformá-lo em liderança internacional depende de logística, regulação e investimentos. O Ministério de Minas e Energia publicou em 2026 o guia para investidores estrangeiros sobre minerais críticos, ressaltando a urgência da transição energética.

O documento destaca que o Brasil possui capital humano, laboratórios e universidades dedicados a P&D&I no setor mineral, além de abrir portas para o Investimento Estrangeiro Direto com foco em transferência de tecnologia, sempre sob ESG.

O cenário geopolítico global mostra como a concentração de processamento, especialmente na China, pode exercer influência. Em 2024, a maior parte do refino de terras raras ficou sob controle chinês, o que impacta negociações entre EUA, Brasil e parceiros.

Apesar disso, o Brasil tem posição estratégica pela diversidade geológica e pela extensão territorial. A produção de lítio, por exemplo, já figura entre os cinco maiores países produtores, com potencial de expansão até 2030.

A industrialização local do grafite e de demais minerais é o passo decisivo para reduzir dependências externas. A ideia central é transformar o estoque de recursos naturais em cadeia de valor, com manufatura avançada integrada.

O debate pondera ainda sobre o papel da Lua como fronteira futura de recursos. A visão é de prazo longo, mas a prioridade atual permanece na robustez da base terrestre de suprimentos, processamento e fabricação.

O Brasil é visto como uma peça-chave no xadrez de minerais críticos, com potencial para liderar a transição energética global desde que avance em infraestrutura, regulação e cadeia de valor.

Enquanto a discussão pública foca na exploração lunar, a agenda de curto a médio prazo demanda decisões estratégicas sobre transformação de recursos em riqueza industrial, sob governança responsável.

Onara Lima: fundadora da ESG Advisory, com 23 anos em gestão ambiental. Filipe Alvarez: Diretor de Sustentabilidade na Ubrabio e professor da FGV.

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