- Economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, Cassiana Fernandez, diz que o maior risco atual é a retaliação brasileira às tarifas dos EUA, com escalada de tarifas.
- Brasil deve manter negociação com o governo dos EUA, mas novas tarifas podem pressionar a inflação já deteriorada.
- Tarifas dos EUA sobre o Brasil estavam em média de 11% e poderiam subir para 19% caso o anúncio de tarifas adicionais de 25% se concretize.
- Investimento estrangeiro direto dos EUA no Brasil sustenta boa parte da produção e empregos qualificados; o fluxo é visto como assimétrico com relação aos EUA e à China.
- O IDP total esperado neste ano é de 3,3% do PIB, dos quais cerca de 19% viriam dos EUA; há necessidade de agenda regulatória confiável, previsibilidade e estabilidade macroeconômica para atrair mais investimentos.
A maior relação de risco entre Brasil e EUA hoje é a possibilidade de retaliação brasileira diante das tarifas impostas pelos americanos, segundo a economista-chefe do JPMorgan para o Brasil. O alerta foi feito nesta terça-feira, 9, em São Paulo.
Durante o Seminário Econômico Brasil-EUA, organizado pelo Lide, Cassiana Fernandez afirmou que o Brasil deve permanecer na mesa de negociações com o governo de Donald Trump. No entanto, novas tarifas de importação deixariam a inflação brasileira ainda mais pressionada.
Ela informou que a tarifa dos EUA ao Brasil, na média ponderada, está em cerca de 11%. Caso o anúncio recente de alta de 25% se concretize, esse patamar subiria para 19%.
A economista destacou que o mercado potencial de exportações brasileiras para os EUA é grande, mas hoje as vendas são pequenas e com impacto limitado. Tarifas de 10%, 25% ou 50% afetariam cadeias específicas, enfatizando o risco de escalada.
Entre os riscos, há uma assimetria entre tarifas maiores e um forte fluxo de Investimento Estrangeiro Direto vindo dos EUA. O IDP sustenta boa parte da capacidade produtiva e de empregos qualificados no Brasil, segundo a análise do JPMorgan.
Fernandez indicou que o IDP total deste ano deve somar 3,3% do PIB, com cerca de 19% vindo dos EUA, bem acima do que chega da China, estimado entre 7% e 8%.
Para reforçar a estabilidade, a economista orientou que a agenda Brasil-EUA concentre-se em proteger o ambiente de investimentos diretos. A previsibilidade regulatória e a estabilidade macroeconômica são apontadas como pilares.
A relação entre Brasil e EUA hoje é marcada pela pressão de tarifas, porém também por um alto potencial de investimento estrangeiro. O seminário contou ainda com a presença de representantes de instituições financeiras, ex-ministros e o Cônsul-Geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami.
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